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Cine Ceará começa com história na Cuba pré-Fidel

Luiz Zanin Oricchio

01 Junho 2007 | 15h40

Amigos, acabei de chegar a Fortaleza para o Festival de Cinema da cidade, que começa daqui a pouco. Mandarei notícias daqui para vocês. abraços e leiam a matéria sobre o festival.

Começa hoje, com a exibição fora de concurso de A Ilha da Morte, do cineasta cearense Wolney Oliveira, a 17.ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-Americano, que vai até o dia 8 . Wolney é diretor do evento e apresenta uma história que se passa em Cuba (onde estudou cinema), com o personagem que deseja ser cineasta e chegar a Hollywood. O filme é uma co-produção entre Brasil, Cuba e Espanha e sua trama se passa na Havana de 1958, anterior portanto à revolução dos barbudos.

Desde o ano passado, o Cine Ceará tornou-se ibero-americano, formato novo para um festival que, desde sua criação, havia tentado várias fórmulas, com mostra só de curtas e concurso de diretores estreantes. Este ano duas produções nacionais concorrem com as estrangeiras – Patativa do Assaré – Ave Poesia, de Rosemberg Cariry, e Querô, de Carlos Cortez, que já concorreu em Brasília e acabou de vencer o Festival de Cuiabá. Competem com produções da Guatemala (As Cruzes, de Rafale Rosa), Portugal (Body Rice, de Hugo Vieira da Silva), Argentina (Chile 672, de Pablo Bardauil e Franco Verdoia), Espanha (De Bares, de Mario Iglesias), Peru (Mariposa Negra, de Francisco Lombardi) e a co-produção Cuba-Espanha-Venezuela (La Edad de la Peseta, de Pavel Giroud).

Esses concorrentes foram selecionados entre 117 longas, sendo 66 de países ibero-americanos e 51 brasileiros. É de se esperar, segundo esses números, que, com tal oferta, os organizadores tenham montado uma seleção de grande mérito artístico. Festivais se fazem de ineditismo e qualidade, embora nem sempre seja possível conciliar essas duas virtudes.

Outra atração do Cine Ceará é a mostra de 20 filmes da Caravana Farkas, A ‘caravana’ aconteceu por obra do fotógrafo Thomaz Farkas, húngaro de nascimento, brasileiríssimo de adoção, que, entre 1968 e 1972, produziu uma série de filmes de ‘descoberta’ do Brasil e dirigiu alguns deles. Entre eles, alguns tornaram-se famosos, como Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares, e Viramundo, de Geraldo Sarno.

Será muito interessante ver, em conjunto, essas imagens brasileiras daquela época. Na virada dos anos 60 para os 70, o Brasil era ainda um continente visualmente a ser descoberto e os cineastas, seguindo a inspiração do Cinema Novo, procuravam documentá-lo.

Das produções estrangeiras em concurso, destaca-se um nome mais notório, pelo menos para quem acompanha o cinema latino-americano. Trata-se de Francisco Lombardi, o mais conhecido diretor do Peru. Os outros parecem desconhecidos, pelo menos por aqui. Este será um festival de surpresas e descobertas. Espera-se que boas.