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Chorar nem sempre é o melhor negócio

Luiz Zanin Oricchio

29 Outubro 2007 | 13h58

Num cinema mundial cada vez mais rotineiro, boas surpresas devem ser saudadas. É o caso deste A Arte das Lágrimas, do dinamarquês Peter Schnau Fog. É daqueles filmes que tiram o tapete debaixo dos pés do espectador. Começa de um jeito, no estilo de uma comédia leve, e depois evolui para um drama familiar pesado, daqueles que os nórdicos filmam como ninguém.

A história é ambientada nos anos 70, na região de Jutland. Allan, o narrador,é um garoto de 11 anos. Seu pai é figura emocionalmente fraca, de choro fácil, que gosta de comover a todos. Um manipulador sentimental, que ameaça o suicídio a toda hora. O tom é cômico e a platéia ri. Passa a rir menos quando a distopia familiar vai aparecendo de maneira mais clara. E, então, o que parecia ser uma simpática narrativa pelo olhar de uma criança (à maneira, por exemplo, de Minha Vida de Cachorro, de Lasse Hallström), adquire outro peso específico.

Essa reversão de expectativas talvez seja, ela própria, responsável pelo prazer que se sente ao assistir ao filme. Mas, claro, ela nada seria, em si, não fosse o hábil trabalho de direção, que dá ao filme uma iluminação também ela enganosa para o que se está para ver. Também se deve destacar que o ponto de vista infantil em nada diminui o impacto das revelações que surgem. Muito pelo contrário, as intensifica. Já se falou muito da habilidade nórdica no trabalho com os dramas familiares. Existe a hipótese de que, com o social já resolvido, os artistas podem se voltar para dentro de suas próprias casas e averiguar o que nelas existe. Não têm encontrado lá muitos motivos para comemorações, de Bergman a Thomas Vinterberg. Peter Schnau Fog entra nessa linha, embora a linguagem cinematográfica que adota seja mais convencional.

Do outro lado da coisa, no âmbito histórico, vale conferir o documentário Pancho Villa, a Revolução não Acabou, do mexicano Francesco Taboada Tabone (19h, no Arteplex 4). O diretor entrevista idosos que conviveram com o chefe da Revolução Mexicana. É interessante ver a distância que há entre a figura objetiva do revolucionário e sua projeção no imaginário popular, na memória e nas canções. O homem se vai, o mito permanece.

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