Chileno ‘O Vento Sabe que Volto para Casa’ vence Festival Ecofalante
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Chileno ‘O Vento Sabe que Volto para Casa’ vence Festival Ecofalante

O filme chileno 'O Vento Sabe que Volto para Casa' vence o Festival Ecofalante de Cinema Ambiental, em sua 6ª edição. O brasileiro 'Não Respire - Contém Amianto' recebeu o prêmio do público.

Luiz Fernando Zanin Oricchio

16 Junho 2017 | 12h19

 

Não acompanhei bem a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental pois estava fora de São Paulo, em Curitiba, no Festival Olhar de Cinema. Mas fiquei muito contente ao receber a notícia de que o vencedor do Ecofalante é o poético documentário/ficção chileno O Vento Sabe que Volto para Casa. Olhe que coincidência: este filme venceu o Olhar de Cinema do ano passado. E, na edição deste ano do festival curitibano, quem tínhamos por lá senão o ator de O Vento, Ignácio Agüero, que apresentou lá sua obra documental (Como me Dá la Gana I e II) e deu concorrida masterclass.

Aqui, algumas palavras sobre O Vento Sabe que Volto para Casa, de José Luis Torres Leiva.

Documentário ou ficção? Como dizer? Vale-se de um personagem que vai à ilha chilena de Meulin para investigar a história de um casal desaparecido 30 anos atrás. É um mergulho na cultura da costa chilena, com seu rendilhado de ilhas e costumes diversos. Descobre, por exemplo, que a tal ilha é dividida em duas por um rio. De um lado, vivem os descendentes de indígenas, de outro, os mestiços. Não se misturam. Ou o fazem com dificuldade, pois as famílias mostram-se intolerantes com as relações entre indivíduos das duas comunidades. Será isto o que aconteceu com João e Maria, o casal que sumiu? Sob esse pretexto, o filme refaz e revela um modo de vida bastante particular dos insulares. Lembra, em alguns aspectos, Fogo no Mar, de Giancarlo Rosi, o vencedor do Festival de Berlim deste ano com seu estudo da Ilha de Lampedusa, na costa siciliana.

Abaixo, o release completo da premiação do Ecofalante

 

O Vento Sabe que Volto à Casa” é o grande vencedor da Competição Latino-Americana da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. O documentário dirigido por José Luís Torres Leiva retrata o racismo que perdura entre a população indígena e os mestiços descendentes de colonos na ilha de Chiloé, no Chile. A obra foi premiada com o troféu Ecofalante e R$ 15 mil na noite desta quarta-feira, 14 de junho, na cerimônia de encerramento da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, realizada no Cine Caixa Belas Artes em São Paulo. O prêmio foi concedido em razão da “originalidade da proposta cinematográfica, com uma narrativa singular que aborda a complexidade da questão humana”, segundo avaliação do Júri formado pela cineasta Regina Jeha, pela jornalista Maria Zulmira de Souza e pelo também cineasta Jorge Bodanzky.

O prêmio do público para Melhor Longa-Metragem da Competição Latino-Americana ficou com o brasileiro “Não Respire – Contém Amianto”, dirigido por André Campos, Carlos Juliano Barros e Caue Angeli. O documentário investiga como a indústria brasileira do amianto se vale de doações a campanhas políticas, financiamento a pesquisas acadêmicas e campanhas de marketing para vender a imagem de que a crisotila — derivada daquele minério e usada para fabricar telhas – não é o cancerígeno devastador condenado pela Organização Mundial da Saúde e já proibido em 70 países.

MAIS PRÊMIOS

O troféu simbolizando o Prêmio Especial do Júri foi concedido ao longa “Damiana Kryygi”, do diretor argentino Alejandro Moujan, que recupera a história de uma menina de 3 anos que no final do século XIX sobreviveu no Paraguai a um massacre de colonizadores brancos a uma família da etnia Aché, e anos depois se converteu em objeto de um estudo antropológico. O documentário brasileiro “Substantivo Feminino”, dirigido por Daniela Sallet e Juan Zapata, recebeu Menção Honrosa dos jurados da Mostra Ecofalante, também na forma de um troféu.  O filme conta a história de duas pioneiras ambientalistas gaúchas, que no auge da ditadura militar chegaram a ser vigiadas pelo Serviço Nacional de Informações, por causa de suas atividades junto a ONGs internacionais.

CURTAS LATINO-AMERICANOS

O Prêmio de Melhor Curta ficou com o brasileiro “Osiba Kangamuke -Vamos lá Criançada”, dirigido por Haja Kalapalo, Tawana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini.  O filme de 19 min é protagonizado por crianças do Parque Indígena Alto Xingu (MT). Elas mostram sua íntima relação com a natureza, os rituais e tradições dos Kalapalo. Ganhou o troféu Ecofalante de Melhor Curta e R$ 5 mil de prêmio.

Mais um troféu de Menção Honrosa dos jurados foi para o curta-metragem brasileiro “Caminho dos Gigantes”, de Alois Di Leo. Em 12 minutos, o filme conta a história de Oquirá, menina indígena de 6 anos que desafia seu destino numa floresta de árvores gigantes para entender o ciclo da vida.

CURTA ECOFALANTE

Os jurados também elegeram o Melhor Filme do Concurso Curta Ecofalante, destinado a estudantes universitários e do Ensino Médio. Ganhou o troféu de vencedor do Concurso mais R$ 3 mil a obra “Disforia Urbana”, dirigido por Lucas Simões, da Universidade Federal de Pernambuco. O filme de 12 minutos revela que a vida na cidade, com todo seu movimento e celeridade, é na verdade solitária e monótona.

Ganhou o troféu de Melhor Curta do Concurso Ecofalante escolhido pelo público o filme “Ciclo Urbano”, dirigido por Washington Assis, da Escola Técnica Estadual Jornalista Roberto Marinho. O curta aborda as alegrias e os desafios do ato de pedalar na cidade de São Paulo.

Outro premiado pelo Júri, com troféu de Menção Honrosa, foi “Obra Autorizada”, de Iago Cordeiro Ribeiro, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano. O curta retrata Cachoeira, Cidade Monumento Nacional na Bahia, à espera de uma obra de reconstrução.

SOBRE O TROFÉU ECOFALANTE

Os troféus oferecidos pela Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental são produzidos com materiais reaproveitados por uma rede de economia solidária. Foram criados pela “Rede Design Possível” e confeccionados pelos trabalhadores da “Mater Oficina”, que integra o Núcleo de Trabalho e Arte (Nutrarte) da Rede de Atenção Psicossocial do Município de São Bernardo do Campo. As pás de beiju de tapioca foram feitas pela Associação Indígena Ahira, da etnia Mehinako (do Xingu).

As embalagens são banners reaproveitados pelo Cardume de Mães. O transporte dos troféus foi realizado pelo Giro Sustentável Entregas – primeira cooperativa de bike courier do Brasil.