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Luiz Fernando Zanin Oricchio

23 Julho 2012 | 13h57

Estava demorando para que o acidente nuclear em Chernobyl virasse terror juvenil. Demorou mas chegou. Em Chernobyl – Sinta a Radiação, de Bradley Parker, a desolação causada pelo vazamento atômico é palco para mais uma série de sustos e situações inverossímeis que são marcas registradas desses filmes.

A história é a de um grupo de jovens que resolve encerrar a viagem à Europa com chave de ouro. Um deles ouve falar de uma agência de turismo radical, que pode levá-los à experiência inusitada. A “agência”, na verdade, é de um homem só, um certo Uri (Dimitri Diatchenko), ex-soldado, que os conduz numa van a uma cidade ucraniana, Pripyat, na qual viviam os trabalhadores da usina e que teve de ser abandonada às pressas assim que o acidente aconteceu. Tornou-se uma cidade fantasma, uma espécie de Pompeia da era atômica,

A turma que vai à expedição da cidade fantasma da antiga URSS é composta por um grupo de jovens americanos, Chris (Jesse McCartney) e sua namorada Natalie (Olivia Taylor Dudley), Paul (Jonathan Sadowski) e Amanda (Devin Kelley), ao qual se junta um casal formado pela norueguesa Zoe (Ingrid Berdal) e o australiano Michael (Nathan Philips).

O que seria apenas um passeio um tanto diferente ganha outra dimensão quando o grupo se vê impedido de entrar na cidade por policiais. Mas Uri conhece uma passagem clandestina e aventura-se. Lá dentro, uma série de incidentes obriga os turistas a permanecer mais tempo do que seria razoável e então tudo começa a acontecer.

Bem, pelo menos tudo o que a imaginação de quem escreveu e dirigiu o filme foi capaz de bolar, o que não significa lá grande coisa. Os sustos são previsíveis desde o início, mas um ou outro podem funcionar para plateias mais desavisadas. Em especial porque o clima visual, de penumbra levemente enevoada, evoca certa fantasmagoria propícia ao medo teen. Mas, daí para frente, tudo começa a derrapar e escorrega por fim aos clichês mais óbvios dos filmes do gênero – sustos tolos, o suspense criado por algo que se esconde atrás de portas e que não se deixa ver de imediato, etc.

Como esse tipo de cinema funciona na base do “nada se cria, tudo se copia”, há também as alusões ao falso documentário do tipo A Bruxa de Blair. Isso para insinuar ao distinto público que tudo aconteceu de verdade e ele deve se assustar mais ainda devido a essa suposta circunstância. Nada notável, em suma. Rotina.

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