Che: 40 anos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Che: 40 anos

Luiz Zanin Oricchio

02 Outubro 2007 | 20h30

che
Ernesto “Che” Guevara, na imagem famosa de Alberto Korda

Com a aproximação dos 40 anos da morte de Che Guevara na Bolívia (preso dia 8/10/1967, executado no dia seguinte) já começam a aparecer textos pró e contra o guerrilheiro. Engraçado é que a ultra-direita parece mais assanhada do que a esquerda, pelo menos até agora. Mas muita coisa ainda virá, como vem a cada data redonda relativa ao Che: novas biografias, reinterpretações históricas, pôsteres, camisetas, chaveiros, filmes e canções.

Já andei lendo muita bobagem por aí, porque, claro, o cadáver do Che continua a ser um campo de batalha ideológico entre a direita e a esquerda, como se ainda vivêssemos no tempo da guerra fria. Uma das melhores coisas que li foi um artigo do intelectual cubano Iván de la Nuez, no caderno Babelia, do jornal espanhol El Pais. Interessa a Nuez nem tanto a figura histórica do guerrilheiro, mas o fetiche pop em que se transformou, em especial a partir da imagem famosa registrada pelo fotógrafo cubano Alberto Korda. Nada favorável a Guevara, o artigo chamado Che ‘Versus’ feti-che mata a charada num parágrafo inteligente, que transcrevo abaixo:

“Para a esquerda radical , o fetiche do Che significa uma vitória cultural depois de uma derrota política. Para a direita radical, o fetiche do Che significa uma derrota cultural depois de uma vitória política”.

Daí o assanhamento da direita, ávida em enterrar esse morto insepulto, e da esquerda, em revivê-lo como consolo em tempos difíceis.

Adendo ao post: Li em O Globo de hoje (3/10/07) uma matéria interessante. Mario Terán, o soldado que fuzilou o Che, hoje um homem idoso, estava com problemas de visão. Voltou a enxergar graças a uma cirurgia realizada…adivinhem por quem? Por médicos cubanos, em missão na Bolívia. A História é irônica e dá muitas voltas.