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Budapeste: Chico, o boleiro e o escritor

Luiz Zanin Oricchio

18 Março 2009 | 14h31

Leio Budapeste, o romance de Chico Buarque, por razões profissionais e com considerável atraso. Mas, afinal, os livros não morrem, não é? E me penintencio por não tê-lo lido antes porque é de fato muito bom e já estou no aguardo da adaptação para o cinema, feita por Walter Carvalho, da qual já vi o (promissor) trailer.

Mas não é sobre isso que quero falar agora. É que, lá pelas tantas, um trecho do livro me chamou a atenção de maneira particular:

“Dispondo de largo tempo ocioso, Puskás Sándor passara a frequentar a biblioteca, onde gozava de crescente prestígio. E nas sessões públicas de sábado, se sentava a mesa entre celebridades como o prosador Hidegkuti e o poeta Kocsis Ferenc, nos bastidores era cumprimentado mesmo pelo esquivo Sr….”

Qualquer um que conheça a história do futebol mundial tem familiaridade com os nomes de Puskas, Hidegkuti e Kocsis – os três da mitológica seleção húngara que, favorita na Copa de 1954, acabou perdendo da Alemanha no jogo final. Isso, depois de despachar a seleção brasileira. Chico adora futebol, como se sabe. Tem um time, o Politheama, e promove sempre jogos. Torce para o Fluminense e tem como ídolo Pagão, centroavante que jogou em vários clubes, mas tornou-se lenda no Santos Futebol Clube.

Esse trecho é a piscadela do autor/narrador para o leitor. E vice-versa.