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Brasil, país ameno

Luiz Zanin Oricchio

27 Junho 2007 | 19h25

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul amanheceu com pichações de teor racista. Uma amiga, que lá trabalha como professora, disse que as inscrições fazem parte do tumultuado processo de implantação do sistema de cotas na universidade. O Conselho Universitário, que iria votar a adoção do sistema na semana passada, foi impedido de discutir o assunto por grupos de manifestantes que tomaram a reitoria para fazer pressão. Diz ela que o processo foi interrompido e o pau come entre as facções pró e contra as cotas. Deve ser o que Gilberto Freyre chamava de “democracia racial brasileira”.

Enquanto isso, uma doméstica é espancada no Rio e jovens de classe média que a agrediram se defendem dizendo que “pensavam ser apenas uma prostituta”. Me lembrei do caso do índio Galdino, assassinado em Brasília anos atrás. Os rapazes (também de classe média) que o mataram disseram que pensavam ser “somente um mendigo” que dormia no banco. Desse modo, sentiram-se autorizados a tocar fogo na vítima.

Uma ação policial tem saldo de 18 mortos nos morros cariocas.

Um contemporâneo de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico, definiu o brasileiro como homem cordial. Um conceito ambíguo, mas esta é uma outra história.