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Bate-bola no Museu do Futebol

Luiz Zanin Oricchio

11 Junho 2014 | 11h41

É Copa do Mundo, não poderia faltar programação especial no Museu do Futebol. E não falta. Futebol das Artes, desde ontem em cartaz, traz saraus de poesia, performances literárias, filmes, oficinas e jogos educativos para quem, entre uma partida e outra da Copa, quiser curtir um jeito diferente de ver o futebol.

Entre as várias atrações, a joia da coroa é uma homenagem ao maestro Gilberto Mendes. Vem na forma de uma instalação audiovisual com músicas e histórias do compositor que, aos 92 anos, pode se gabar de ter assistido a todas as Copas do Mundo, competição que, como se sabe, começou em 1930, no Uruguai.

Gilberto Mendes não foi escolhido ao acaso. É, dos compositores de música contemporânea, o que tem ligação mais direta com o jogo da bola. A pièce de résistence do seu repertório inclui Santos Football Music, homenagem musical ao Santos de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. É uma das peças mais empolgantes do repertório erudito contemporâneo, mesclando orquestra, narração radiofônica e participação ativa da plateia, que se transforma em torcida.

Outra atração é a exibição de filmes relacionados ao futebol. Na mostra, há títulos como Pelé e Garrincha – Deuses do Brasil, de Jean-Christophe Rosé, Barbosa, de Jorge Furtado, Um Craque Chamado Divino, de Penna Filho, Esperando Telê, de Rubens Rewald e Tales Ab’Saber, João Saldanha, de Beto Macedo e André Iki Siqueira, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, de Fábio Altman, entre outros. Os filmes abordam craques geniais, técnicos famosos e a seleção em algumas situações especiais – o documentário de Altman, por exemplo, registra o jogo humanitário realizado pela seleção brasileira no Haiti. A retrospectiva é uma pequena amostra de como o futebol já serviu de tema para as câmeras de cinema.

No texto preparado pelo curador da mostra, Adilson Mendes, revela-se o desejo de flagrar a ressonância do fenômeno futebol no imaginário artístico em suas várias vertentes – música erudita e popular, poesia, cinema, literatura, artes gráficas, o circo. Lembra também Adilson que a “invenção inglesa” entrou no Brasil pela porta da elite, porém logo foi apropriada pelas classes populares, que a adotaram, passaram a praticá-la e, assim fazendo, a transformaram em forma de expressão e arte.

A mostra lembra também que a expressão máxima do futebol brasileiro, a sua seleção, completa seu centenário em 2014. Outro bom motivo para comemorar. E, quem sabe, com um hexa em casa, por que não?

A programação de Futebol das Artes pode ser conferida em www.museudofutebol.org.br

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