Aruanda 2017.  Elba Ramalho fala de ‘A Ópera do Malandro’
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Aruanda 2017. Elba Ramalho fala de ‘A Ópera do Malandro’

A ‘cantriz’ Elba Ramalho deu entrevista antes da apresentação de ‘A Ópera do Malandro’, de Ruy Guerra, musical no qual interpreta a prostituta Margot

Luiz Zanin Oricchio

05 Dezembro 2017 | 15h45

HG

 

João Pessoa/PB


A grande atração de ontem no Fest Aruanda foi a presença da cantora Elba Ramalho para prestigiar a exibição de A Ópera do Malandro, de Ruy Guerra. Se você está acompanhando a cobertura do Fest Aruanda, sabe que Ruy é o grande homenageado do festival este ano.

Elba foi ao cinema pois faz um dos principais papéis do filme, o da prostituta Margot, rival de Claudia Ohana pelas atenções de Max (Edson Celulari). As duas protagonizam um dos momentos maiores do musical à brasileira de Ruy Guerra, o duelo de mulheres ao som da canção (extraordinária) O Meu Amor, de Chico Buarque.

Elba deu entrevista antes do filme, e definiu-se como “cantriz”, mélange de cantora e atriz. Apesar disso, sua presença no cinema não é muito numerosa, cerca de dez filmes. De longe, o trabalho mais importante é o de A Ópera do Malandro, sua primeira atuação nas telas.

Elba recordou a trabalheira que deu aprender a rigorosa coreografia de O Meu Amor – custou cerca de três meses de ensaios. “Filmamos e, quando o diretor viu o copião, disse que não prestava, que tínhamos que fazer de novo”, disse, arrancando risadas do próprioRuy, que estava ao seu lado.

Ruy Guerra também falou durante a entrevista, e explicou algumas influências para fazer este que é seu único filme musical. “Sem dúvida Kurt Weill e o teatro de Brecht”, disse. Bem , a própria peça de Chico Buarque, na qual o filme se inspira, é baseada na peça de John Gay, A Ópera do Mendigo, e na Ópera dos Três Vinténs, de Brecht & Weill.

Qualquer espectador minimamente atento descobre essas influências desde os primeiros fotogramas. A história, envolvente, propõe ao espectador momentos de distanciamento e reflexão, ao lado dos de paixão épica e encantamento. Como, por exemplo, quando compara a estrutura de um bordel à da exploração na sociedade capitalista. Ruy é um cineasta político e jamais faria um musical de entretenimento descompromissado.

De modo que, pelo entrecho simples, passa toda a questão de estrutura social brasileira numa época precisa e contexto particular. Anos 1940, o Brasil indeciso entre o apoio ao Eixo ou aos Aliados. O dono do bordel, Otto Struedel (Fábio Sabag) é alemão e flutua ao sabor das idas e vindas da guerra e suas políticas de aliança. Max é um aproveitador, cafetão que vive às custas de Margot. Interessa-se por Ludmila (Ohana), não apenas pela beleza da mocinha, mas por sua grana – ela é filha do dono do bordel. Entre eles, Tigrão (Ney Latorraca), o chefe da polícia, corrupto, rival de Max e apaixonado por Margot.

Revisto, o filme revela, mais uma vez, sua grandeza e encanto.