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Apito final *

Luiz Zanin Oricchio

02 Outubro 2012 | 13h14

Com grande ofertas de jogos para ver, optei pelo Fla-Flu. Achei que seria o melhor de todos, o mais empolgante. E, depois, como se comemoram os 100 anos de Nelson Rodrigues, seria uma forma de homenageá-lo. Nelson era Flu doente e, para ele, o Fla-Flu era o jogo dos jogos.

Não me decepcionei. Foi mesmo emocionante, mesmo sem torcer para qualquer um dos dois. O golaço de Fred, depois a pressão do Flamengo, o pênalti perdido e outras chances, para culminar com essa circunstância tão linda como rara – a torcida do time derrotado aplaude porque reconhece os méritos e esforço da moçada. Beleza.

Depois emendei com Grêmio x Santos, considerando que o time gaúcho era amplamente favorito, mesmo com a rara presença de Neymar no Santos. Como sabem, Neymar pertence à CBF, que, de vez em quando, o empresta ao time da Vila. Era uma dessas ocasiões e merecia ser vista. Mas, mesmo com Neymar, o Grêmio jogava em casa, o Olímpico estava lotado e o tricolor tinha todo o interesse em vencer para não perder os líderes de vista. Com o Santos perdendo por 1 a 0 e Neymar expulso aos 3′ do segundo tempo, pensei: “o jogo acabou”. Mas não tinha acabado porque o futebol quase sempre nos surpreende. Sem o craque, o equilíbrio do jogo deslocou-se para o lado do Santos, que empatou, e, mesmo pressionado pelo Grêmio, quase desempata no final. Fortes emoções.

Bem, tudo me leva à conclusão de que o futebol brasileiro, apesar dos problemas, ainda é muito bom. Pode não ser aquele primor de técnica, primazia que perdemos após gerações seguidas de exportação em massa de craques. Mas, mesmo que o Fla-Flu não seja um Real Madrid x Barcelona, também não é um Alavés x Múrcia. É um jogaço e com tanta tradição que às vezes compensa a técnica deficitária que se vê em campo. O mesmo pode ser dito de Grêmio x Santos e de vários outros jogos. O nosso campeonato é muito bom.

Poderia ser melhor ainda não fossem algumas pragas costumeiras, como o desinteresse da CBF pelos clubes e a péssima arbitragem. Veja o caso deste senhor que apitou Grêmio x Santos. Deixou o pau comer solto durante toda a partida. Neymar tomou uma tesoura voadora, por trás, de Zé Roberto. Numa jogada em que foi apanhando da defesa ao ataque, Neymar reclamou e tomou cartão amarelo. Foi expulso quando se estranhou com Pará. Ora, para ser justo, os dois deveriam ter sido punidos. Ou nenhum, o que teria sido a solução do bom senso. Mas ele deu o vermelho a Neymar, apenas. Por quê? Para aparecer, penso eu. Dizem que Armando Marques gostava de expulsar Pelé, porque dava mídia. Agora este senhor (cujo nome não vou citar para não lhe dar cartaz) faz coisa semelhante com Neymar.

Agora eu pergunto, meu amigo: você vai a estádio ou paga o seu pay-per-view para assistir ao juiz soprar o apito? Ou para ver o craque? É o típico caso do rabo abanando o cachorro e não o contrário.

* Coluna Boleiros, publicada no Caderno de Esportes do Estadão