Amor entre irmãos no Olhar de Cinema
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Amor entre irmãos no Olhar de Cinema

Luiz Fernando Zanin Oricchio

10 Junho 2017 | 11h08


 

CURITIBA – Vencedor do Prêmio Especial do Júri na Mostra Horizontes do Festival de Veneza de 2016, o turco Grande Grande Mundo já surge como forte concorrente na mostra competitiva do Olhar de Cinema 2017.

Dirigido por Reha Erdem, mostra a história de dois irmãos órfãos que se refugiam na vida natural de uma floresta perdida do país.
Estão em fuga pois, para resgatar a irmã adolescente da casa onde fora adotada, Ali (Bere Karaen) teve de cometer crimes. Ele sai carregando a garota, Zuhal (Ecem Uzun ) em sua moto e partem para o interior do país. Refugiam-se numa floresta, próxima a uma oficina onde Ali ganha uns trocados. E próxima também de um circo onde uma jovem prostituta exerce atração irresistível sobre o rapaz.

Reha trabalha muito bem com a construção dos climas da história. Desde os primeiros planos, nos quais Ali tenta descobrir o paradeiro da irmã, e por fim o consegue, até descobrir que o pai adotivo pretende transformá-la em segunda esposa. Até a convivência de ambos na floresta, numa casa improvisada que, aos poucos, como a vida em geral, vai se deteriorando.

Essa convivência dos irmãos, na floresta, livra-se dos clichês edênicos da situação. A natureza é vista mais como ameaça e perigo que como encantamento. Embora alguns traços de presenças mágicas – animais que representam o pai e a mãe perdidos – encham de encanto um cotidiano de privações.

O filme flutua em certa ambiguidade ao não deixar 100% claro se Ali e Zuhal são de fato irmãos biológicos ou apenas foram companheiros próximos de orfanato. De qualquer forma, há essa proximidade física e atração mútua em ambiente de proibição, o que cria uma tensão erótica no caso. A relação de Ali com a prostituta estabelece também uma situação de ciúmes e conflitos.

A beleza visual do filme (nada gratuita ou artificial) contribui para sua força, assim como o desempenho dos dois atores principais, ambos bastante espontâneos , talvez estreantes e cheios de gás.

Mostra Murnau

A retrospectiva do grande diretor F. W. Murnau (1888-1931) prosseguiu com três filmes – O Castelo de Vogelod (1921), Fantasma (1922) e o clássico Tabu (1931). Vi os três, em excelentes cópias restauradas e exibidas em DCP. Pareciam saídas do laboratório de tão boas. A mostra tem curadoria do crítico Aaron Cutler, que sempre fala alguma coisa sobre os filmes antes das sessões. Explica seu contexto e como foram restaurados. A mostra tem sido um sucesso de público, com salas cheias. Para vocês terem ideia, O Castelo de Vogelod, com seu tom folhetinesco e fantástico, foi aplaudido no final, por um público formado por jovens em sua maioria. Um filme de quase cem anos! Prova da vitalidade de Murnau e de como esses velhos filmes ainda têm muito a dizer, como afirma Aaron Cutler.