Adeus a Hobsbawm
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Adeus a Hobsbawm

Luiz Zanin Oricchio

01 Outubro 2012 | 09h41

 

 

 

Deu para morrer gente. Agora foi o grande historiador inglês Eric Hobsbawm, de formação marxista. Foi-se aos 95 anos de uma vida muitíssimo bem vivida.

Deixa algumas obras fundamentais como A Era das Revoluções, A Era dos Impérios e A Era do Capital. Seu livro A Era dos Extremos é uma suma crítica do século 20 que ele, aliás, situava entre 1914 e 1989. Começo da Primeira Guerra e Queda do Muro de Berlim. Em conjunto, essa tetralogia é o que de melhor pode haver para a compreensão do nosso mundo da Revolução Francesa aos dias de hoje. Isso com uma prosa límpida, culta, sem qualquer afetação. Ao alcance do leitor bem educado e com curiosidade para a História.

Lembro até hoje das aulas do professor Carlos Guilherme Mota, no curso de História da USP, que adotava esses livros de Hobsbawm para falar da História moderna e contemporânea. O velho Hobsbawm ajudou-me a pensar essa nossa época de paradoxos.

Viveu para ver o 11 de setembro e o comentou como ninguém em Democracia, Globalização e Terrorismo. Falou sobre o tema sem usar da linguagem religiosa em voga. Enfim, era um racionalista e, como marxista, achava que a razão tem seu papel na explicação do ser humano e em sua circunstância.

Hobsbawm era também sensível a outras modalidades da experiência humana. Escreveu, sob pseudônimo, uma magnífica História Social do Jazz, que recomendo a todos que se interessam por música e cultura. Em sua Era dos Extremos, refere-se à seleção brasileira de 1970. Diz mais ou menos o seguinte (cito de memória, sorry): “Ninguém que tenha visto aquele time jogar negará ao futebol a condição de arte. ” É isso.

Obrigado, mestre.

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