As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

A violência em Tropa de Elite

Luiz Zanin Oricchio

09 Outubro 2007 | 08h31

Respondendo à Cláudia, acho que foi bem legal a entrevista com o José Padilha ontem no Roda Viva. Não houve tédio, algumas questões foram abordadas (não resolvidas, que isso é papo para mais de uma geração) e acho que alguns pontos do filme foram questionados, com gentileza. Claro, existem algumas discussões embutidas nesta polêmica em particular que são literalmente intermináveis. Por exemplo, Leon Cakoff lembrou que Quentin Tarantino pode usar da violência em seus filmes, e ser considerado um gênio, enquanto Padilha é chamado de “fascista” pelo mesmo motivo. Eu diria que, para mim, Tarantino é tudo menos genial e que as duas violências são diferentes. Em Tarantino, a violência é estetizada, coreografada, tratada como um brinquedo estético (não há juízo de valor nisso). Enquanto que, em Padilha, a violência é funcional – ela está lá porque sem ela a história que conta não teria sentido, o que não tem nada de “fascista”, este termo que, como alguns antibióticos, está virando de largo espectro. Serve para tudo. Enfim, o programa acabou, depois de hora e meia (o que, em televisão, é uma eternidade) e ficamos todos com gostinho de “quero mais”. Poderíamos ter continuado o papo por horas e horas.

Quero acrescentar que Padilha me pareceu muito bem preparado,honesto em seus propósitos e respondeu com gentileza mesmo às criticas ao filme. Gostei de conhecê-lo pessoalmente.

Uma questão, em particular, ficou rodando na Roda, de modo explícito ou implícito: o filme de José Padilha se limita a retratar a violência que existe na sociedade, ou parte dela, ou é, ele mesmo, um estímulo para mais violência? Difícil decidir, não? Vocês que já viram Tropa de Elite, o que acham? Tenho curiosidade em saber a opinião de vocês.