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Luiz Carlos Merten

01 Junho 2007 | 16h18

David Fincher e seu elenco (Mark Ruffalo, Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr.), mais o roteirista James Vanderbilt, foram a Cannes para a exibição de Zodíaco no festival. O filme participou da competição. Não ganhou nada. Ou melhor – ganhou elogios. Com as exceções que confirmam a regra, o novo thriller do diretor de Seven foi muito bem recebido. Não falei com Fincher. Encontrei-me com Vanderbilt no American Pavillion. O filme estréia hoje. É muito bom. Andei postando aqui alguma coisa, antes de viajar a Cannes, sobre David Fincher, que muita gente considera hoje o mais importante autor de Hollywood (ele ou Michael Mann?). Lembro-me que escrevi que, até hoje, não sabia se gostava de O Clube da Luta, que provocou tanta polêmica. Entre outras coisas, Zodíaco ilumina (ou esclarece) O Clube. Ambos versam sobre terrorismo. Discutem o que é ser um terrorista hoje e como o cinema trata esse personagem. O Clube foi lançado em cima do 11 de Setembro. O impacto foi grande e deve ter contribuído para a etiqueta de fascista que foi colada ao filme. Zodíaco foi feito agora com uma distância já razoável. A intenção do diretor fica mais clara. Fincher contou em Cannes que, depois de Cannes, com medo de ser catalogado como diretor de filmes sobre serial killers, disse a seu agente que não lhe enviasse nenhum roteiro com esse tipo de personagem. Num sábado,. ele recebeu o telefonema do agente, dizendo que aquele roteiro ele tinha de ler. Era o de Seven. Foram necessários muitos anos até que o roteiro de Vanderbilt interessasse a um estúdio e a um produtor. A maioria achava inviável um filme sem conclusão, sobre a caçada a um assassino que nunca foi formalmente identificado e, menos ainda, indiciado. Fincher admite que foi uma das coisas que o atraíram no projeto. Outro ponto a favor – o personagem de Jake, o que mais próximo chega da identificação do assassino do Zodíaco, é um cartunista. Imagine – com um policial e um repórter investigativo em cena, o cartunista vira o centro da enquete. Foi uma aposta que deu certo. Mas tem seu risco – Cahiers du Cinéma diz que, nos EUA, o filme ganhou elogios unânimes, mas a leitura foi tão limitada (e consensual) que todos os jornais e revistas fizeram a mesma crítica. Vou dar uma pausa e continuo.