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Luiz Carlos Merten

31 Março 2010 | 12h13

Fui dar uma ‘zapeada’, como digo, nos lançamentos da 2001 Vídeo e encontrei algumas novidades de DVDs que me interessaram bastante. Uma delas resgata o lendário Stefano Vanzina, que pouca gente deve identificar por este nome, mas que, como Steno, foi parceiro de Mario Monicelli numa série memorável de grandes comédias nos anos 1940 e 50. Quando se separaram, para seguir carreiras solos, Monicelli consolidou-se como ‘maestro’, o que levou a crítica a concluir que era o cérebro ‘intelectual’ da parceria. Steno prosseguiu fazendo comédias de um recorte mais popular, incluindo sua paródia de ‘Psicose’, ‘Psicosíssimo’, que é um dos dois títulos lançados pela FlashStar. Ugo Tognazzi e Raimondo Vianello são atores que ensaiam peça de terror. Um vizinho que os vê de sua janela (indiscreta) conclui que são assassinos e coloca a polícia no encalço da dupla. Até onde me lembro, o filme era ‘ultrajante’ em relação a Hitchcock, mas divertido como as paródias de Carlos Manga na Atlântida. O outro é ‘Minha Avó Policial’, com Tina Pica, que estreou no cinema aos 50 anos, nos idos de 1930, e virou ‘estrela’ de cinema aos 70, como a Caramella da série “Pão, Amor e…’ Tina Pica era a encarnação da napolitana e, no frigir dos ovos, apesar de Sophia Loren e Silvana Mangano, é ela quem rouba a cena em ‘O Ouro de Nápoles’, um De Sica de 1954, que a Versátil lançou em DVD. Confesso que tenho certa queda por pelo menos uma comédia de Steno, ‘Meu Filho Nero’, com Alberto Sordi, Gloria Swanson e (a jovem) Sophia, mas também não esqueço que, em 1972, no auge do cinema político italiano, ele fez seu único filme assinado como Stefano Vanzina – ‘La Polizia Ringazia’, A Polícia Agradece, que justamente seguia a trilha de Damiano Damiani, Elio Petri e Francesco Rosi, criticando o abuso do poder e a corrupção dentro da organização policial. Os outros dois lançamentos são da Califórnia. ‘Eleição’ 1 e 2 de Johnnie To. Gosto demais desses dois filmes que representam (com o ‘velho’ John Woo) o que há de mais intenso e estilizado no cinema de gênero de Hong Kong, mas acrescento que me decepcionei, no ano passado, com o longa do diretor que integrou a competição de Cannes, ‘Vingança’, com Johnny Hallyday. O encontro dos dois ‘Johnnys’ prometia bastante, mas a estreia de To no cinema financiado no Ocidente (em euros…) me pareceu um tanto débil ou então meio repeteco de explosões de violência que me cativaram mais nos seus filmes sobre as ‘tríades’. Comparativamente, havia gostado bem mais de ‘Sparrow’, Pardal, um Johnny To de 2008, que havia visto em outro festival, Berlim, com um memorável duelo sob a chuva – uma coreografia de ‘umbrellas’ que me deixou a mil, pela elegância e precisão da montagem. Humor com Steno, violência com Johnny To, mas também pode ser violência com Steno, humor com Johnny To. Espero que o post os deixe minimamente com vontade de conferir os lançamentos.

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