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Luiz Carlos Merten

06 Agosto 2007 | 12h39

Fomos, um pequeníssimo grupo – Michel joelsas, sua mãe e uma amiga -, visitar o Yad Vashem, o museu do Holocausto de Jerusalém. A idéia do museu, expressa no próprio nome, é dar um nome, uma identidade, às 6 milhões de vítimas do nazismo. O número é tão massificante que toda essa multidão tende a se tornar anônima. Só individualizando seu sofrimento é que se pode esperar que sejamos tocados pela experiência. O museu, em si, é um prédio maravilhoso. Logo no entrada, o videoartista Michael Rovner criou Paisagem Viva, uma colagem de filmes antigos mostrando como era a vida dos judeus na Europa, antes do nazismo. Como as 12 estações da Via Dolorosa, o que o museu faz é nos propor uma viagem pelo horror do holocausto, como ele começou, se desenvolveu e atingiu esses números alarmantes que só podem ferir a consciência das pessoas de bem. (É impressionante. Está tudo ali documentado, mas ainda tem gente no mundo que procura fazer crer que o Holocausto é uma invenção dos judeus para influenciar/dominar corações e mentes.) O primeiro estágio corresponde à eleição democrática de Adolf Hitler e à promulgação das primeiras leis racistas. As primeiras vítimas dos campos de prisioneiros não foram judeus, mas intelectuais, lideranças comunitárias e sindicais, muitos comunistas, que protestaram contra a consolidação do poder pelos nazistas. As primeiras vítimas do extermínio também não foram judeus. Foram crianças e adultos portadores de defeitos físicos, considerados incapazes pela barbárie nazista. Vamos ser práticos. Vocês sabem, já comentei, independentemente de me conhecerem, que tenho um defeito físico. Eu teria sido condenado à morte na Alemanha de Hitler. Há uma foto impressionante. Uma criança com síndrome de Down nua, puxada pelos dois braços por nazistas enormes. Há um tal espanto, um tal pavor nos olhos dela que eu não sei se vou conseguiur esquecer a imagem. Foi uma experiência e tanto. Na saída, comentei com a guia que à noite – daqui a pouco – teria outra forte emoção, porque iria (irei) a Ramalah, onde o governo de Israel confinou os palestinos atrás de outro muro. O de Berlim era o da vergonha. Este aqui é do quê? Que dia! Mas eu quero acrescentar outro post sobre o Yad Vashem. Adiante!