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Luiz Carlos Merten

03 Setembro 2009 | 18h05

Olá! Não tenho tido muito tempo para postar, embora vontade não me falte. Assisti ontem pela manhã a ‘Salve Geral’, o novo filme de Sérgio Rezende, sobre o dia em que o PCC parou São Paulo. À tarde, tive dentista – duas horas de boca aberta e aquele cara escarafunchando nos meus dentes –, que emendei com corte de cabelo, jantar com minha filha e genro e um documentário que tinha de ver, o ‘Ecos’, atração de sexta do É Tudo Verdade, feito por um colega aqui da casa, o repórter Pedro Henrique França. Hoje pela manhã, tinha 1001 textos para redigir, incluindo as entrevistas com Pete Docter e John Lasseter que estarão na capa do ‘Caderno 2’ de amanhã, por conta da estreia de ‘Up – Altas Aventuras’. Não é a minha animação favorita da Pixar – ‘Procurando Nemo’ continua imbatível, com ‘Ratatouille’ em segundo, disputando a primeira vaga no photochart. Como o filme do rato, ‘Up’ trata do tempo perdido e reencontrado, com um velho rabugento como protagonista. O filme é sobre o velho – uma animação! –, tendo vindo de Tom McCarthy, de ‘O Visitante’, como colaborador no roteiro, o personagem do garoto, que nem havia na concepção original de Docter e de seu roteirista, e co-diretor, Bob Peterson. Sei que só agora estou conseguindo retomar o post. Vamos (re)começar. Olá de novo! Meu último post havia sido sobre Louis Malle, o que significa que não cheguei a escrever sobre o horroroso ‘A Órfã’, de Jaume, não Jaime, Collet-Serra, um espanhol que fez em Hollywood ‘A Casa de Cera’ e agora exagera com seu retrato de uma menina pestilenta que um casal, em má hora, resolve adotar, comprando gato por lebre. A menina aterroriza os irmãos, provoca a desunião do casal e, no limite, inicia uma série de assassinatos até a revelação final – sim, há uma revelação, que o diretor reserva para o desfecho, quando a psicopata Esther está chafurdando em seu bando de sangue. Confesso que detestei ‘A Órfã’. Vi o filme numa sessão especial, terça à noite no Shopping Eldorado, e sai do cinema meio desnorteado. Fui caminhando para casa, tentando baixar a poeira e abalado comigo mesmo, de ver como certos filmes – esse, por exemplo – me deprimem. Tem gente que consegue rir dessas aberrações. Eu, não. E não entendo – Jaume é contra a adoção? Deve ser, pois estimula a paranoia, nos coloca em guarda contra esse outro desconhecido que pode apunhalar nosso afeto. Esther, no filme, veio da antiga URSS. O que Jaume está querendo? Retomar a bandeira da guerra fria? Não é preciso nem delirar tanto. Xô, coisa ruim.

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