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Luiz Carlos Merten

02 Fevereiro 2011 | 08h50

Havia entrevistado Christina Aguillera no Sony Summer, em Cancun, em junho/julho do ano passado. Aliás, parece piada, mas no meu planeta não existia referência à moça. Antes da entrevista, houve a festa de ‘Burlesque’. Mostraram cenas do filme, não o filme todo, e tã-tã-tã, Christina e… Entraram as duas, a outra é a vilã da história, uma vilã que no fundo é boa moça e só precisa de uma oportunidade para se redimir. Me virei para o assessor da Sony e perguntei – qual das duas é Christina? O cara me olhou com jeito de quem queria morrer, ou matar. You’re fucking kidding… No dia seguinte, fui bem ‘campante’, como se diz no Sul, para a entrevista. Para os padrões de uma celebridade, no dia seguinte à sua festa, Christina foi muito profissional. Oito e meia da manhã e a mulher já estava montada. Deve ter levantado às 4, para colocar aquela maquiagem toda. Mas vou contar para vocês. Ela é muito, muito bonita. Meio Carmem Miranda, sua ídola, mas menos, ou não tão viada. Parece boa gente. Colei na mulher e enquanto ela falava, descobri a tatuagem na nuca – ‘Xtina’. Ela percebeu – ‘Did you like?’ Fui ver ontem o filme. ‘Burlesque’ é o musical mais gay dos últimos tempos. Não é, necessariamente, uma crítica. Achei até mais razoável do que poderia esperar, dadas as críticas unânimes. Mas, em matéria de musicais, exceto os clássicos, já vi que não sou parâmetro para ninguém. Gostei de ‘Nine’, diverti-me com ‘Mamma Mia’, mas em compensação acho insuportáveis essas clonadas da Broadway da dupla Moeller/Botelho. ‘Burlesque’ é um musical dedicado à glória das ‘divas’. Cher, Christina… Stanley Tucci faz o gay de plantão e ele é bom demais. O galã, que eu não sei o nome, é um docinho. Quando ele olha para a bunda dela, Christina faz uma cara de, céus, ‘pensei que você fosse gay’. Depois que fazem sexo, ela garante, para a plateia, que o cara, definitivamente, não é gay. ‘Burlesque’ é sobre gente que só precisa de um empurrãozinho para mostrar quanto é talentosa, bonita (por dentro e por fora). Como Pauline Kael gostava de dizer, qualquer pessoa que queira levar ‘Burlesque’ a sério deveria ter sua cabeça examinada. Mas não é ruim, não. Os próprios números musicais apresentam uma evolução interessante. No começo, são clipes, estilo MTV, em que as bailarinas – e Christina – não dançam porque a coreografia dos movimentos é toda desmontada na edição. À medida que ela evolui no palco, os cortes diminuem e há mais espaço para a continuidade da dança. Me lembrei de ‘Quando o Strip-Tease Começou’ (The Night They Raided Minsky’s), de William Friedkin, de 1969, também sobre o burlesco (e a ‘invenção’ do strip-tease). O filme estreia na semana que vem. E Christina tem um vozeirão.