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Luiz Carlos Merten

16 Maio 2007 | 12h37

CANNES – Na coletiva, todo mundo queria saber de Wong Kar-wai por que, tendo sido presidente do júri no ano passado, ele quis voltar à Croisette participando da competição? Kar-wai disse que seria fácil voltar fora de competição, mas ele prefere o risco. Acrescentou que Felizes Juntos, Amor à Flor da Pele e 2046 foram todos exibidods, em diferentes anos, no finalzinho do festival. Desata vez ele quis inverter, abrindo o festival. Não será um eco do ano passado, quando o júri que ele presidiu terminou premiando o primeiro filme da competição – Ventos da Liberdade, de Ken Loach? Outra curiosidade – em geral, ele leva anos (des)construindo seus filmes na montagem. My Blueberry Nights começou a ser filmado depois de Cannes, no ano passado. Um ano depois, está pronto. O método de Wong Kar-wai teve algumas mudanças. Ele construiu o personagem de Jude Law (chama-se Jeremy) antes da filmagem. Tomaram por modelo o Tom Courtenay de The Long Distance Runner, no alvorecer do free cinema, por volta de 1960. O carro era um corredor e Jude Law preparou-se como tal. Mas, quando o filme começa, ele já desistiu de correr e está preso ao balcão daquele bar/café, paralisado por uma dor de amor. Jeremy, como Lizzie, a persaonagem de Norah Jones, precisa renascer, do ponto de vista amoroso. Quem nunca sofreu por amor, que atire a primeira pedra. Ou o primeiro desaforo para o diretor. My Blueberry Nights – repito – é lindo.