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Cultura » Wilder execrável. Wilder?

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Luiz Carlos Merten

12 Julho 2007 | 11h40

Escrevi no post anterior que todo filme de Wilder é especial. Não sei bem por que, fui olhar no Dicionário de Cinema do Jean Tulard o que ele diz sobre o grande diretor. Tulard derrama-se em elogios, mas acrescenta que Wilder, às vezes, não escapou da vulgaridade, da grosseria e da complacência, concentrando todos esses ‘defeitos’ em Cupido não Tem Bandeira e no execrável – definição dele – Irma La Douce. O quê? Irma la Douce execrável? Só se for porque ele é francês e se sentiu ofendido com as ironias do mestre. Eu adoro Irma la Douce! Revi há relativamente pouco tempo na TV paga e me diverti não apenas com as piadas de sexo – Jack Lemmon dizendo a Shirley MacLaine que ela tem de parar; parar o quê, cara-pálida; de fumar ou da atividade como prostituta/ -, mas também com toda aquela parte do disfarce, quando Nestor vira o aristocrata impotente que Shirley regenera (como Marilyn faz com Tony Curtis em Quanto Mais Quente Melhor). Adoro as cenas do tribunal e acho o bordão do Lou Jacobi – ‘Mas essa é outra história…’ – genial. De onde que o Tulard tirou que o filme é execrável? Com o perdão pela vulgaridade, se estivesse vivo Wilder poderia usar o banheiro lá de casa cada vez que fosse dar uma c… boa dessas.