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‘When I’m Sixty Four’ (mas eu tenho 64 anos!)

Luiz Carlos Merten

11 Julho 2010 | 12h07

Fui ontem ao Anhangabaú assistir ao jogo em que a Alemanha massacrou o Uruguai, embora o hermano tenha resistido bravamente (e o Forlán tenha jogado um bolão). Depois do jogo, corri à Galeria Olido, que exibe o ciclo Rock Tarantino, com os filmes que influenciaram o autor (e por isso mesmo o ciclo tem como subtítulo Bastados Inglórios, porque são aqueles diretores B que os críticos muitas vezes desconsideram). Havia passado antes pelo Olido e vi que o programa das 17h30 havia sido trocado. Em vez de Gimme Shelter, sobre os Rolling Stones, o programa anunciava uma substituição, e ela me atraiu muito mais, ‘O Submarino Amarelo’, de George Dunning. Lembro-me de que há muitos anos, uma revista francesa que nem existe mais – acho que era ‘Écran’ – dedicou uma capa à animação. Hayao Miyazaki ainda nem existia e ‘Yellow Submarine’ foi considerada a melhor animação de todos os tempos, seguida de duas produções da Disney, ‘Branca de Neve e os Sete Anões’ e ‘Fantasia’. É curioso, mas antes de virar o Sr. Cinema-para-Toda-Família, o velho Walt foi um experimentador que fez evoluir a chamada ‘oitava arte’. Não me lembrava em detalhes do ‘Submarino’ e confesso que muito me surpreendeu – também não me lembrava – que os Beatles, tendo apoiado a produção e até feito uma aparição no final, não fornecessem a voz a seus personagens na ficção. Comentei com Jotabê Medeiros que está aqui na redação do ‘Estado’, de onde redijo o post, e ele me desvendou o mistério. Os Beatles, inicialmente, detestaram a ideia, mas depois de assistirem a uma première ficaram de queixo caído e até fizeram aquela ponta. Como não haviam composto nada para a trilha, ela foi feita à base de canções de ‘Sgt. Peppers’. O visual ‘psicodélico’ de ‘O Submarino Amarelo’ é uma loucura e explica como a animação imediatamente virou cult para uma geração que curtia o LSD como droga da mente. Mas o roteiro é muito engenhoso e eu ouso dizer que George Dunning talvez tenha incorporado mais o espírito de Lewis Carroll do que Tim Burton (mesmo tendo gostado bastante de sua ‘Alice’, não necessariamente em relação com a dos livros). E as músicas – ‘Lucy in the Sky with Diamonds’, ‘When I’m Sixty Four’, e eu tenho 64 anos, e ‘All You Need Is Love’. Estava nas nuvens, ontem às 8 da noite.