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Werner Schroeter, príncipe da experimentação

Luiz Carlos Merten

13 Abril 2010 | 15h25

Não tenho tanta familiaridade assim com o cinema de Werner Schroeter, mas conheço suficientemente o diretor alemão para lamentar sua morte, aos 65 anos, de câncer. Schroeter morreu ontem em Berlim. Ele pertence à geração que fez o novo cinema alemão nos anos 1960. Estreou tardiamante, em 1969, e de cara se orientou para um experimentalismo radical. Hans Jurgen Syberberg e ele talvez fossem os mais experimentalistas do grupo. Jean Tulard, no ‘Dicionário de Cinema’, o chama de príncipe da produção experimental. Gosto do Schroeter mais… Qual é a palavra? Clássico? Social? Clássico, ele não era, pelo menos no formato, embora fosse homem de grande cultura e erudição. ‘Os Irmãos Napolitanos’ e ‘Palermo’ são operísticos e oferecem reconstituições bem duras das vidas de italianos pobres. Mas o Schroeter que me marcou foi de ‘O Concílio do Amor’, não sei se pelo tema – Deus pune os Bógia introduzindo a sífilis em sua corte dissoluta – ou pela atriz. Magdalena Montezuma virou cult no cinema de Schroeter. E há também ‘Malina’, adaptação do romance de ingeborg Bachman, que concorreu em Cannes, com Isabelle Huppert, para quem ele escreveu depois ‘Deux Duas’. Huppert, com aquela frieza cênica, ou distanciamento, tem a cara de Schroeter. Ele levou ao limite a linguagem e a política do cinema. Viveu pouco, filmou muito e teve tempo de ganhar um Leão de Ouro de carreira em Veneza há coisa de dois ou três anos, mas sobre isso Luiz Zanin Oricchio deve falar melhor em seu blog.