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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2008 | 16h49

CANNES – Wim Wenders já foi chamado de Sr. Cinema. Se não me engano, foi por Matinas Suzuki, num texto dos anos 80, quando eu ainda estava em Porto Alegre e nem imaginava que iria para São Paulo (e viraria jornalista do ‘Estadão’). O Sr. Cinema virou um fotógrafo de luxo e seu novo filme, ‘Shooting Palermo’, é outra prova disso. Acabo de vê-lo. ‘Shooting Palerno’ foi vaiado no final. São os dois filmes mais vaiados até agora, o de Wenders e o francês ‘La Promesse de l’Aube’, de Philippe Garrel. Dois filmes sobre fotógrafos que flertam com a morte. Wim Wendfers bebeu na fonte de Fritz Lang, ‘A Morte Cansada’. Der Tod. Domino – quem é? O cara parece modelo de cuecas Calvin Klein – escapa de morrer num acidente de estrada e embarca para a Itália numa visita de busca. Vittoria Mezzogiorno – a bela filha de Vittorio – é seu anjo da guarda e Dennis Hopper fornece sua cara à morte. O filme tem diálogos risíveis. A ‘Morte’ diz que está cansada de ser vilã. A frase adquire outro sentido na boca de Dennis Hopper. Boa parte da platéia quase morreu de rir. Mas as imagens são lindas, a trilha é hipnótica. Acho que a vaia, no limite, foi para a pretensão da dedicatória. Wim Wenders dedica sua história de morte a Ingmar e Michelangelo (com quem trabalhou em ‘Além das Nuvens’). Foi demais. Vaia nele!