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Luiz Carlos Merten

12 Agosto 2008 | 10h13

GRAMADO – Walmor Chagas teve um encontro ontem à tarde com um pequeno grupo de jornalistas no Hotel Serra Azul. Ele recebe hoje o troféu Oscarito. Walmor confessou que queria ser ator de cinema, mas o teatro e a televisão dominam seu currículo pelo simples fato de que é muito difícil sobreviver de cinema no Brasil. E ele é ator, não importa o veículo. Criticou a TV – como produto industrial -, destacou a importância de Ziembinski para o teatro brasileiro nos anos 60 e falou, claro, sobre ‘São Paulo S.A.’, de Luiz Sérgio Person. O filme tem hoje fama de clássico, mas Walmor lembrou que, na época, não provocou tanto entusiasmo assim. Eu sei, porque quando incluí o ‘São Paulo S.A.’ no meu livro sobre o centenário do cinema, de 1995, muita gente estranhou que eu tivesse escolhido justamente o filme do Person no capítulo referente ao cinema brasileiro. Teria sido tão mais ‘natural’ – há 13 anos! – falar de Glauber, mas, enfim… Na entrevista que deu ao Caderno 2, José Carlos Avellar, um dos curadores (com Sérgio Sanz) aqui do festival -, disse que os três grandes homenageados especiais, Walmor e os dois Júlios, o brasileiro Bressane e o cubano Garcíua Espinoza, haviam passado pelo Festival de Pesaro, na Itália, que foi o palco da afirmação dos novos cinemas, nos anos 60. Perguntei ao Walmor e ele não tem registro de Pesaro na lembrança. Lembra-se muito mais de Acapulco, onde o filme de Person também foi exibido. Foi lá que conheceu Buñuel e Don Luis não gostava de falar de cinema. Falava de outras coisas, entre elas, ensinar as pessoas (e Walmor) a tomar cerveja na lata, com sal e limão. Só no último dia, Buñuel elogiou Walmor por sua participação em ‘São Paulo S.A.’ e ele, louco por cinema, ficou tão entusiasmado que correu a telefonar para sua companheira, na arte e na vida, Cacilda Becker, dizendo que finalmente a carreira cinematográfica ia deslanchar. Que nada! O cinema continuou pontual na carreira de Walmor Chagas, muito mais famoso pelo teatro e pela TV, onde ficou instituído que ele era perfeito para personagens três Ms (milionário, mau-caráter e mulherengo). Walmor fez pouco cinema, bem menos do que gostaria. Ainda bem que entre esses poucos estejam marcos do cinema brasileiro.