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Luiz Carlos Merten

25 Junho 2008 | 19h57

ESTOCOLMO – Quero comentar meu dia aqui na terra de Bergman – assisti a três filmes e tive um almoço e um jantar bem interessantes com um pessoal do cinema sueco e os coleguinhas estrangeiros. Mas antes quero responder a algumas solicitações de vocês. Antes, quero dizer que me surpreendo cada vez que posto um desses meus textos reclamando da necessidade compulsiva que as pessoas têm de celulares e um bando de gente fica solidária comigo. Nós, os que resistimos. Fica parecendo uma coisa reacionária, mas está para nascer quem me convença das virtudes do tal telefone portátil. O problema, e isso eu reconheço que é um problema, é que cada vez mais é preciso testar dez orelhões até achar um que funcione, principalmente no centro de São Paulo. Não sei se o problema é realmente de depredação ou falta de reparação, mas enquanto der para resistir, eu resisto. Quem foi mesmo que me pediu um exemplo do tipo de entrevista que fiz em orelhão? Falei com Pontecorvo – em italiano! – num orelhão da Cinelândia, durante o Festival do Rio. Minha recente entrevista com Tom Kalin também foi feita de orelhão. E já conversei com Robert Guédiguian e Toni Marshall, também de orelhão. De brasileiros, perdi a conta, mas a entrevista mais difícil que fiz foi com Nelson Pereira dos Santos, sobre seu documentário adaptado de Sérgio Buarque de Holanda. Não me lembro onde Nelson estava, mas não era no Brasil, ou definitivamente não era no Rio. Ele estava em trânsito, alguma coisa assim. A ligação caiu. Este é o pesadelo, porque aí tenho de ligar para a telefonistga do jornal, pedir-lhe que faça a ponte e, às vezes, entra outra ligação do lado de lá e a minha situação se complica. Ricardo pergunta se já vi ‘Wall-E’, que estréia na sexta. Vi, e achei muito simpático. O robôzinho lembra o de ‘Short Circuit – o Incrível Robô’ e o supercomputador que é o vilão da história é claramente calcado em Hal-9000, de ‘2001’. Assisti ao filme numa cabine da Sony, na semana passada. Quando cheguei – era minha última chance, antes de viajar para o Rio -, me disseram que era a versão dublada, mas não fez a menor diferença, porque o filme tem muito ruído e pouquíssimo diálogo. A primeira meia-hora acho que não tem nenhuma fala. Achei bem legal, embora ‘Wall-E’ seja inferior a ‘Procurando Nemo’, do mesmo diretor, Andrew Stanton, e não tenha comparação possível com ‘Ratatouille’, que é, para mim, uma obra-prima (e vocês sabem disso). Ainda nos comentários do post sobre celular – o ‘Descontinuado’ -, Emma pergunta se conheci Iara Bendati. Com certeza, não apenas ela, mas seu marido, o Anibal, diagramador, com quem trabalhei. Meu contato com a Iara foi mais através dele, mas chegamos a trabalhar juntos durante alguns meses quando lecionei Semiótica na Comunicação da PUC, em Porto Alegre. Adoro conversar sobre cinema, mas aqueles curtos meses sobre Semiótica foram exaustivos para mim. Além de a matéria ser muito teórica, a turma era imensa. Lecionava num anfiteatro. Deviam ser cem pessoas. Exagero, mas era muita gente e captar a atenção de todo esse pessoal – mantê-los ligados – era como matar um leão por dia de aula. Não creio que tenha sido um bom professor. Sorry, se algum de vocês foi meu aluno, mas eu vi logo que não era minha praia e desisti rapidinho.

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