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Luiz Carlos Merten

01 Fevereiro 2009 | 20h16

PARIS – Hoje, tive um dia ‘quase’ – ‘Walkyrie’, rapidinhoiia dizer – perfeito, exceto pelo fato de estar sozinho, o que é sempre uma pena, em Paris mais do que em qualquer outro lugar do mundo que tenha conhecido. Pelas manhã, fui à missa dez – de órgão – em Notre Dame. Não tem nada a ver com experiência mística ou religiosa, e talvez tenha. Para mim, é pura estética. A liturgia da Igreja Católica, a dramaticidade da música, o local, que faz parte do imaginário universal (na história, na literatura e no cinema). Vi hoje três filmes, mas antes de falar soibre eles quero voltasr a Walkyrie. Mesmo não tendo gostado dele, ‘Walkyrie’ permaneceu comigo, quanto mais não seja como desafio para tentar entender por que um diretor (Bryan Singer) e um astro (Tom Cruise), que admiro – apesar da Cientologia -, entraram nesta roubada. Creio ter descoberto. A ‘dramaturgia’ do filme dá grande peso ao juramento de fidelidade a Hitler que todos os alemães eram obrigados a fazer. Não sei quando isso começou, historicamente, mas fornece uma interpretação sobre o que ocorreu na Alemanha, a partir do momento em que o povo assimilou o caráter ‘divino’ do führer. O filme poderia continuar sendo diferente, para mim, mas pelo menos entendo o parti-pris de Singer e Cruise. Cada um pode tê-lo adotado por motivos diferentes. Cruise, preso à Cientologia, pelo próprio juramengto de fidelidade que deve ter feito à ‘religião’ de Ron Hubbard e o filme trata do preço a pagar quando ele é quebrado. Singer, por ser adotado, judeu e homossexual, três grupos rejeitados pelos nazistas, até mesmo como forma de em gtender por que não teria sobrevivido – triplamente – na Alemanha de Hitler. Enfim, vai ser um assunto interessante quando o filme estrear – e Cruise vai ao Brasil para promover o lançamento. Vamos ter de voltar a ele. Agora, quero falar dos filmes que vi hoje. No próximo post.