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Luiz Carlos Merten

05 Outubro 2008 | 13h12

RIO – E, afinal, não consegui assistir ontem a ‘Velha Juventude’, do Coppola. As duas sessões do filme já estavam esgotadas, e com o acréscimo das cadeiras extras que a sala permitia. Vou ver na quinta-feira, 9, último dia do festival mas pelo menos agora já estou de posse do meu ingresso. Fiz ontem uma ótima entrevista com Claude Miller, a quem já havia enmcontrado em janeiro, em Paris, no Encontro do Cinema Francês, promovido pela Unifrance. Voltamos a falar sobre ‘Um Segredo’. Muitos filmes têm tratado do tema da Shoah e da perseguição aoas judeus na França ocupada. Nunca vi nenhum como este, no qual o dano causado pelo nazismo vira uma perversidade tão grande que provoca o desgosto radical de uma mulher. Somado a outras decepções de ordem amorosa, o fato a leva a uma decisão pior do que a escolha de Sofia. Gostei do filme quando o vi, e gostei mais ainda de conversar de novo com Miller, que deixa o Brasil hoje à tarde, retornando a Paris. O filme tem uma cena maravilhosa com Ludivine Sagnie, a garota cortada ao meio de Claude Chabrol. Miller já havia trabalhado com ela antes. Sabia até onde Ludivine poderia ir. A cena é a desta mulher judia que literalmente se entrega (e ao filho) aos nazistas. Miller é da classe de 1942. Tinha 3 anos quando a 2ª Guerra acabou. Não se lembra de nada, mas, pertencendo a uma família de origem judaica, cresceu com as memórias implantadas pela vida familiar, sobre a perda de tantos entes queridos. Psicanaliticamente, ele foi gerado durante o nazismo, quando sua mãe vivia o terror de ser descoberta (e exterminada). Isso deve ter ficado no seu inconsciente, pois foi uma história que sempre quis contar, mas não como autobiografia. Como Polanski em ‘O Pianista’, ele buscava uma história alheia para exorcizar uma intensa experiência pessoal (a de Polanski mais ainda, pois ele viveu no gueto de Cracóvia). A cena é filmada com elegância. Nenhuma gritaria, nada de drama. É o que a torna mais terrível. Há um auto-anuilamento da personagem. Por que? Miller me contou que era muito jovem quando leu a crítica de André Bazin a ‘Nuit et Broullard’, de Alain Resnais. Bazin falava na doçura terrível de Resnais. Foi uma coisa tão forte que Miller guardou a definição. Ele foi assistente de François Truffauit, viropu diretor, fez 15 filmes e agora, no 16º, voltou a Bazin we criou a sua cena de uma doçura terrível. Adoraria falar mais, inclusdive sobre o meu enjcontro com Rodrigo Santoro, em plena Cinelândia, conversando com um menino de rua, um momento inimaginável para um astro. Estou contando, mas ainda bem que nãso havia nenhum paparzo para registrar. Iam dizer que Rodrigo estava posando para… Vocês sabem. Falamos sobre o ‘Che’, que está bombando na ESpanha e sobre sua experiência na nova série de Fernando Meirelles, que ele considera uma das experiências mais felizes de sua carreira. Depois eu conto. Agora eu vou ver o Belmonte, a que não consegui assistir ontem. Vi, em compensação, ‘Loki’, sobre Arnaldo Baptista, que amei (e recebeu a maior ovação deste festival).

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