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Luiz Carlos Merten

08 Dezembro 2008 | 23h11

Antes de sair para a votação da APCA, dei uma olhada no blog, para ver/ler os comentários sobre as possibilidades deste ano, que não me pareciam muito animadoras. Havia-me esquecido de ‘Linha de Passe’. Chegando no Sindicato dos Jornalistas, onde a Associação Paulista de Críticos de Arte realiza suas/nossas reuniões anuais, fui salvo pela Neusinha Barbosa, que elaborou uma lista de lançamentos do ano. Havia muito mais filmes premiáveis do que me parecera anteriormente. O ano, afinal, foi bem melhor do que parecia. Nós, os votantes, um grupo que incluía Maria do Rosário Caetano, Luiz Zanin, Neusa Barbosa e Orlando Margarido, entre outros, votamos consensual e conceitualmente. Elegemos dois melhores filmes – ‘Linha de Passe’, de Walter Salles e Daniela Thomas, e ‘Serras da Desordem’, de Andrea Tonacci -; não atribuímos o prêmio de direção e preferimos dar um prêmio especial para ‘Pan Cinema Permanente’, de Carlos Nader. Eliminamos as tradicionais fronteiras entre ficção e documentário, até porque o filme de Tonacci trafega entre ambos e a ficção de Walter Salles e Daniela Thomas tem um pé no documentário (principalmente na captação da pulsação da cidade de São Paulo). Djin Sganzerla, dando um salto espetacular em sua carreira, foi a melhor atriz, por ‘Meu Nome É Dindi’ e o filme de Bruno Safadi, descobri agora via e-mail, também acaba de ser premiado no Festival de Cinema Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal. Gustavo Machado foi o melhor ator, por ‘Olho de Boi’. Não gosto particularmente, ou não gosto do filme de Hermano Penna, mas Maria do Rosário, a mais ardente defensora do garoto, me convenceu de que ele ilumina o ‘Olho de Boi’ (e consegue roubar a cena de Genésio de Barros, o que não representa pouca coisa). Um de meus favoritos, ‘Castelar e Nelson Dantas no País dos Generais’, terminou ganhando um prêmio muito bom – o de montagem, assinada pelo próprio diretor Carlos Alberto Prates Correia, ou simplesmente Carlos Prates. Carlão Reichenbach levou o prêmio de roteiro, por ‘Falsa Loira’. Sete prêmios – o limite por categoria. Achei que foi uma boa premiação, claro que sem assinar embaixo de todos os prêmios, mas desta vez não há nada que me pareça absurdo. Cumprimos nosso papel de críticos, revelando talentos e apontando tendências. Como imaginava, ou temia, os coleguinhas de teatro conseguiram ignorar ‘Calígula’ e ‘Hamlet’. Nem Thiago Lacerda nem Wagner Moura. O melhor ator foi Marco Nanini, por ‘O Bem Amado’. Tenho o maior respeito e admiração pelo Nanini, mas o seu Odorico Paraguassu é limitado pela pobreza da própria encenação da peça de Dias Gomes. Nanini não contracena nem com ele. Todo mundo está ali só para lhe servir de ‘escada’. Para o pessoal do teatro, pelo visto, a Broadway continua aqui.