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Luiz Carlos Merten

26 Setembro 2009 | 13h13

RIO DE JANEIRO – Faço daqui a pouco a mediação do debate sobre ‘Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo’, que abriu ontem a Première Brasil. Admiro muito o trabalho de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, mas esse filme tem um significado especial, porque participei da comissão da Petrobrás que avalizou o projeto. Foi minha única experiência do gênero e algumas pessoas da comissão se preocupavam de dar um cheque em branco aos dois, porque o projetro era de risco, não tinha nem roteiro, era apenas uma carta de intenções. Ontem, no palco no Cine Odeon, Karim agradeceu a paciência dos produtores, e colaboradores, revelando que, em mais de um momento, chegou a duvidar de que tivessem, Marcelo e ele, um filme. Mas tinham. A aposta valeu. A carta de intenções não me preparava para o filme que vi e é muito melhor. Um personagem que não vemos fala, na primeira pessoa, sobre essa mulher que lhe deu o fora. Ele executa um trabalho no interior do Ceará, o que permite à dupla de diretores revisitar o sertão. Viajo porque preciso, voltaria porque te amo, mas depois da dispensada o personagem não volta justamente porque ama (e a volta perdeu o sentido, somente vai aguçar a dor da perda). Não sei de vocês, mas existem filmes que me proporcionam epifanias e que eu gostaria que nunca terminassem. Este ano, tive essa experiência com ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ e ‘A Partida’. Tive ontem a mesma sensação. Queria mais de ‘Viajo Porque Preciso…’ Vou comer alguma coisa e vamos ao debate. Tanta coisa para conversar…