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Vocês não foram!

Luiz Carlos Merten

19 Setembro 2009 | 18h42

Ontem, por conta da viagem ao Rio, e hoje pela manhã, por causa da sessão de ‘Cloudy with a Chance of Meatballs’, que vai ser lançado como ‘Tá Chovendo Hambúrger’ – no singular? -, deixei de falar no evento que originou minha capa de ontem do ‘Caderno 2’. O Indie 2009, Mostra de Cinema Mundial, trouxe a São Paulo o diretor filipino Brillante Mendoza, que teve um encontro com o público pela manhã, às 11 horas, no CineSesc. Gostaria de ter ido, mas como viajo amanhã à noite – para Los Angeles – e volto diretamente para o Festival do Rio, não podia deixar de ver ‘Cloudy’. Pois é, gente, o cinema das Filipinas virou queridinho dos críticos. Brillante ganhou o prêmio de mise-en-scène em Cannes, em maio, por ‘Kinatay’ e o melhor filme de todo o evento, segundo ‘Cahiers du Cinéma’, foi outro filipino – o realmente maravilhoso ‘Independencia’, de Raya Martin, que não encontrei na lista de atrações anunciadas do Festival do Rio (mas espero que Leon Cakoff traga para a Mostra de São Paulo). Brillante faz esses filmes duros e radicais – tempo real, sexo e violência jogados crus na cara do público. A vida familiar no cinema pornô de Manila, a prostituta esquartejada pelos traficantes – nada disso é agradável de ver, exceto pela cena do bode dentro do cinema no primeiro, que é uma obra-prima de humor e irreverência. Zanin, meu colega Luiz Zanin Oricchio, viu o novo filme do cineasta, ‘Lola’, em Veneza. Comentamos como a humanidade é estranha. Brillante faz esses filmes ‘pesados’ e, nos encontros que tive com ele em Cannes (dois) e, mais tarde, falando pelo telefone, sempre me pareceu o sujeito mais afável do mundo. Parece difícil relacionar o homem à obra, mas ele é uma personalidade muito interessante do cinema atual. Além de Brillante Mendoza, o Indie 2009 também homenageia Naomi Nawase com outra retrospectiva (e há até uma terceira revisão autoral, a da obra do diretor francês Philippe Grandiex, mas esse eu conheço menos). Naomi mexeu muito comigo, em Cannes, com ‘A Floresta dos Lamentos’, que vi em 2007. De certa maneira, seu filme prenunciava esse diálogo entre vida, arte e morte que está em obras como ‘O Curioso Caso de Benjamin Button’ e ‘A Partida’. É pena, mas minhas viagens e compromissos estão me impedindo de prestigiar, como gostaria, certos eventos locais. Lamento ter perdido hoje o Brillante Mendoza, como lamentei perder o encontro com Paulo César Saraceni, no É Tudo Verdade, por conta do cinquentenário de ‘Arraial do Cabo’. Vocês estavam aqui e não devem ter ido. Afinal, ninguém comentou nada…