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Luiz Carlos Merten

15 Junho 2010 | 19h59

Que tarde! Não sei de vocês, mas fui assistir ao jogo no Anhangabaú. Estava a maior zona e eu tive de me espremer naquele mar de gente para conseguir assistir ao jogo no telão, ou melhor, nos telões. Mas valeu a pena. Voltei à redação do ‘Estado’, de onde estou postando, porque tinha uma entrevista por telefone agendada com o diretor de ‘Toy Story 3’. Foi ótima. Falamos de ‘Shane’/Os Brutos Também Amam, ‘Avatar’, de Miyazaki, mas falamos principalmente de ‘Andy’, ‘Woody’ e ‘Buzz’ e de como os personagens da série ‘Toy Story’ já extrapolaram o universo da animação e viraram referênciais ‘reais’ para se falar sobre emoções humanas. Volto ao Anhangabaú. Vou poupá-los de qualquer tentativa de análise do jogo, mas quero dizer que a partida que meu colega Ubiratan Brasil achou aborrecida foi vivida como um épico pela multidão enlouquecida no vale no Centro de São Paulo. Imagino que cada grande cidade brasileira teve o seu Anhangabaú, onde se concentrou a multidão. Como experiência humana, comportamental e até sociológica, recomendo que enfrentem todas as dificuldades inerentes a uma atitude dessas e prestigiem as próximas fases, porque a recompensa é grande. Tudo bem, o time não convenceu, ainda vai ter de melhorar muito para ser hexa (mas já deu para ver que ganhar, nesta Copa de m…, não vai ser muito difícil). O susto final – vocês tinham de ter estado lá. Acho que nem na África do Sul aquele gol coreano provocou tamanha comoção. Embora já tenha trabalhado na esditoria de esportes – em ‘Zero Hora’, Porto Alegre -, tenho uma  relação ‘distanciada’ com o futebol. Sou um torcedor ‘frio’, exceto em jogos da Copa. A multidão que entrou pelas baias que davam acesso ao Anhagabaú vestiu-se de verde-amarelo e extravasou paixão. E o barulho… Fiquei pensando – psicanaliticamente, até onde aquilo é paixão sincera ou é ‘representação’, o que fazemos (eu, inclusive) porque é o que se espera de nós. Quem dera que outras coisas motivassem tanto o brasileiro. Não estou criticando e muito menos condenando. Ainda bem que temos o futebol como paixão nacional.