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Cultura » Viggo Mortensen, Arturo Ripstein e a Glória brasileira

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Luiz Carlos Merten

07 Outubro 2008 | 14h50

RIO – Havia tentado ontem acrescentar mais alguns posts, inclusive relatando um pouco as entrevistas que tenho feito no Festival do Rio. Como não daria tempo de ir à sucursal do ‘Estado’, resolvi postar da rua mesmo. Quebrei a cara. Só gastei dinheiro tentando salvar meus textos e os perdia a cada vez. Após duas tentativas – e um post imenso -, desisti porque precisava correr ao Cine Odeon BR para assistir à Glória do cinema brasileiro. Lembram-se do thriller de John Cassavetes com a mulher dele, Gena Rowlands? ‘Verônica’, de Maurício Farias, interpretado pela mulher do diretor, Andréia Beltrão, é quase um remake disfarçado de ‘Glória’, mas com uma diferença considerável. No filme original – e no remake com Sharon Stone -, Glória tenta salvar garoto de criminosos, inclusive do próprio amante, que tem interesse na morte do garoto. Em ‘Verônica’, o menino é perseguido tanto pelos traficantes quanto pela polícia e a protagonista, uma professora de subúrbio, precisa enfrentar o próprio ex-marido policial (Marco Ricca). O Cine Odeon BR quase veio abaixo num aplauso caloroso, no final. Achei excessivo, mesmo que o filme tenha algum interesse (e me pareça candidato a sucesso de público). Havia entrevistado ontem Viggo Mortensen, que está aqui para apresentar – amanhã à noite – o longa anglo-alemão que fez com direção de Vicente Amorim, ‘Um Homem Bom’. Antes da dupla Mortensen/Amorim – ele é o diretor de ‘O Caminho das Nuvens’, que eu, ao contrário de muitos coleguinhas, acho bem simpático -, havia entrevistado Arturo Ripstein, que recebe hoje à noite o prêmio Latin American of the Year, da Fipresci, a Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica. Havia falado várias vezes com ele, em festivais como Cannes e também ligando para seu escritório nos estúdios Churubusco, na Cidade do México. Vou jogar o número no lixo. Ripstein não tem mais o tal escritório. Churubusco, o mais tradicional estúdio de cinema do México (e da América Latina), hoje só sedia produções de TV. Admiro muito Ripstein e filmes como ‘A Rainha da Noite’, ‘Vermelho Sangue’, ‘Assim é a Vida’ – sua adaptação de ‘Medéia’ – e ‘A Perdição dos Homens’. Crítico em relação à própria obra, ele desceu o cacete em Alfonso Cuarón e Alejandro González-Iñárritu, dizendo que os dois fazem um cinema de ‘gringos’. Como um filme como ‘Babel’ pode ter conexão com o cinema mexicano, se só o salário de Brad Pitt custa mais caro do que toda a produção cinematográfica do país no ano? Em compensação, Ripstein colocou nas nuvens o diretor mexicano que mais admiro na atualidade, Carlos Reygadas, principalmente depois de ‘Luz Silenciosa’. As entrevistas estarão na edição de amanhã do ‘Caderno 2’. Agora vou almoçar e correr ao cinema para ver ‘Aquiles e a Tartaruga’, de Takeshi Kitani, e ‘O Banquete’, de Mimmo Calopresi. À noite, meu programa será o novo Guel Arraes, ‘Romance’, com Wagner Moura. Estou louco para ver, desde que o próprio Guel, quando o entrevistei para o livro ‘Cinco Mais Cinco’, me mostrou um promo do filme.