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Viajando, viajando…

Luiz Carlos Merten

27 Janeiro 2012 | 11h40

TIRADENTE$S – Xiii, me perdi nos números e inflaciomnei o próprio blog. Não estou no post 12 mil, mas quase no 9 mil (é isso?) e, portanto, o comentário do Márcio sobre o Che não se refere a um post tão lá atrás. Mas, mal havia salvado o post, entrei na minha caixa postal e encontrei o comentário do Ricardo Jechow, em outro post sobre Tarzan. Ricardo informa que seu pai morreu em dezembro – sorry, cara – e deixou uma coleção de livros com o homem-macaco de Edgar Rice Burroughs, imagino que da Coleção Terramarear, e que gostaria de doá-la. Ricardo me pede sugestões -0 para quem doar? Imagino que existam ‘n’ bibliotecas que aqceitem doações, mas se alguém, puder ajudar o Ricardo, por favor, faça-o. Às vezes, me pego pensando. O primeiro livro, meu primeiro ‘Tarzan’, nunca esqueci. Foi ‘A Volta’, que começa de forma muito sugestiva – ‘Belo!’ É o comentário da vilã da história, uma agente, senão me engano russa, que observa o espécime masculino no convés do navio e é Tarzan. Tenho quase certeza de que começa assim, assim como ‘Tarzan e o Leão de Ouro’ termina com o rei das selva, à luz da Lua, junto à sepultura de Nemone, prestando a homenagem que lhe foi negada. Tudo isso pode ser absolutamente irrelevante parta os outros, mas entendo perfeitamente Marcel Proust e sua madeleine que, numa viagem em busca do tempo perdido o leva ao tempo reencontrado. Penso nessas coisas e me vêm outras, num fluxo que tento ordenar. Agora mesmo, fui cumprimentar Luiz Carlos Lacerda, que está aqui em Tiradentes ministrando uma oficina e ele me contou do projeto em que está envolvido. Lacerda, depois de muito procurar – anos -, descobriu fragmentos do filme que Lúcio Cardoso deixou inacabado, ‘A Mulher de Longe’. O material, depositado na Cinemateca Brasileira, estava em petição de miséria, mas, com a ajuda do Canal Brasil, que pagou o restauro, foi possível recuperar (e editar) 13 minutos de imagem (e, imagino que som, tenho de confirmar) que meu xará vai usar como base para um documentário sobre o filme mítico e sua relação com Lúcio, a ligação de Lúcio com o cinema. Fiquei viajando. Lúcio Cardoso, a quem Paulo César Saraceni, no ano passado, aqui mesmo em Tiradentes, se referiu como gênio – um dos dois gênios que conheceu, e o outro foi Glauber -, foi diversas vezes adaptado, mas nenhum filme, para mim, dá conta de sua complexidade. Ele teve mais sorte, acho, no teatro, com a adaptação de Dib Carneiro para a montagem de Gabriel Villela de ‘Crônica da Casa Assassinada’. E, aqui, enfio os pés pelas mãos. Nem a ‘Crônica’ nem ‘Hécuba’ foram merecedores de prêmios dos colegas de teatro da APCA. Pouco antes de vir para Tiradentes fui ver ‘Luiz Antônio e Gabriela’, que papou todos os prêmios. A segunda morte de Luiz Antônio. Tudo bem, a arte pode ser regeneradora (e a plateia de jovens curtiu o acerto de contas do autor com seu irmão travesti, rejeitado por ele, e pelo restante da família, justamente por ser ‘diferente’). Não gostei nem um pouco – a montagem me pareceu uma sucessão de equívocos nas suas ousadias e provocações que me pareceram meio exibicionistas, sem uma verdadeira compreensão do tema, mas a plateia gostou e havia gente emocionada. Eu não resisto a postar que tive um pensamento ‘fordiano’. A glória dos derrotados. O autor escreveria sua peça, mas ela seria guardada a sete chaves, um acerto ‘íntimo’, e talvez montada após sua morte. A mão estendida teria feito muito mais sentido, presumo, para Luiz Antônio, numa época em que a aids ainda era tão discriminada.

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