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Luiz Carlos Merten

27 Março 2009 | 13h11

RIO – Meu último post do Rio, hoje, versa sobre um assunto aí de São Paulo. Tive o privilégio de assistir na sexta à tarde, na Aclimação, ao ensaio de ‘Vestido de Noiva’. A peça de Nelson Rodrigues está sendo montada por Gabriel Vilela, que abriu o ensaio para que eu pudesse ver Leandra Leal no papel de Alaíde. Generosamente, o diretor paramentou todo o elenco para me mostrar a abertura. Aqueles quatro ou cinco minutos prometem se tornar antológicos do teatro brasileiro. Gabriel Vilela sempre foi chamado de barroco, mas, agora asim, todos vão saber o que é barroquismo. Ele usa a música, ‘Goldondrina’ e tango, para criar um universo litúrgico que me deixou chapado. Alaíde chega perguntando por Madame Cleci e o elenco, homens e mulheres, todos com figurinos femininos, forma uma espécie de bloco que ela não consegue furar. Alaíde, como pássaro ferido – a peça é o delírio de uma atropelada, que está morrendo -, esvoaça ao redor, enquanto eles cantam. Não fui adiante e não vai ser fácil para Gabriel fazer a passagem da música para o diálogo, mas ponho a maior fé de que ele vá conseguir. Leandra é impressionante e o elenco tem Marcelo Anthony e Mila Moreira (como Madame Cleci). Desde que vi aquilo, não consigo me desligar da imagem daquele palco, improvisado num galpão de ensaio, nem do som. Não quero avançar muito para não entregar a matéria que pretendo fazer, mas gostaria que vocês já ficassem de olho. Alaíde, no teatro, em ‘Vestido de Noiva’. Ritinha, no cinema, na adaptação de ‘Bonitinha, Mas Ordinária’, por Moacyr Góes. Leandra Leal me disse que descobriu Nelson aos 15 anos. Ela sempre soube que seu destino seria fazer aquilo. Estou redigindo e me veio o outro Nelson, Suzana Flag, ‘Meu Destino É Pecar’. Que Nelson Leandra mais sonhava fazer? ‘O Vestido’, Alaíde. Visito muito sets de filmagem. ‘Vestido de Noiva’ marcou minha estreia num ensaio de teatro. Achei demais. Só queria compartilhar logo a experiência com vocês. O curioso é que, naqueles cinco minutos, tinha mais cinema do que na horrorosa adaptação de ‘Vestido de Noiva’ com Marília Pêra (e, mesmo, claro, que os problemas não decorressem da atriz).