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Luiz Carlos Merten

26 Maio 2008 | 09h26

Vers Paris!NICE – Estou no aeroporto de Nice, à espera do vôo para Paris. Sinto muito, mas ontem fiquei naquela brincadeira de comentar quem fazia a montée des marches e depois não tive tempo de postar mais nada. A sala de imprensa fechou cedo e era preciso repercutir a vitória de Sandra Corvelini como melhor atriz, por ‘Linha de Passe’, e também aproveitar a entrevista que havia feito com Laurent Cantet, diretor de ‘Entre les Murs’, grande vencedor da Palma de Ouro. Confesso que não duvida de que o filme de Cantet fosse ganhar. Quando o entrevistei, ele se lembrava de nosso encontro no Festival do Rio, quando ele foi ao Brasil para mostrar ‘Vers le Sud’. O novo filme já está causando a maior comoção porque trata da difícil relação de um professor com seus alunos. O filme não sai da escola. O mundo inteiro cabe numa sala de aula e Cantet, que sonhava fazer um filme sobre ‘ados’ (adolescentes) teve a sorte de se ligar a François Bégaudeau, cujo livro adaptou. Bégaudeau era ‘prof’ professor até dois anos atrás. Ele abandonou o cargo para virar escritor, narrando sua experiência com a garotada na sala de aula. Vamos ter muito assunto sobre este filme. No sábado à noite, quando fomos jantar no Mère Besson, um grupo grande que incluía Elaine Guerini, Mariana Morisawa, Flávia Guerra, Tiago Stivaletti e Neusa Barbosa, Ilda Santiago, do Festival do Rio, estavba na mesa ao lado com o Klaus, presidente da Fipresci. Ela me perguntou quem levava a Palma. Eu respondi que o Cantet, claro. Klaus acrescentou – ‘Good choice’. E foi. O júri presidido por Sean Penn fez uma escolha honrosa, às la unanimité. Posso n~são ter gostado de alguns prêmios, mas no geral o júri saiu-se bem – e o prêmio para sandra foi uma agradável surpresa. Quem não gostou nem um pouco foi Clint Eastwood. O resultado deve ter vazado para ele, de que ia receber, como consolsação, um prêmio especial. Castherine Deneuve também recebeu e não apenas foi como declarou que era um privilégio, nesta altura de sua vida e carreira, filmar com um cara (um jovem, embora não muito) tão talentoso e apaixonado quanto Arnaud Desplechin. Gostei do filme deles, ‘Conte de Nöel’, mais do que do de Clintr, ‘L’Exchange’. E, sem querer julgar – sabe-se lá quais foram seus motivos -, achei feio ver a câmera passar pela poltrona que deveria estar sendo ocupado pelo xerife de Hollywood. Outra unanimidade, o prêmio para Benicio Del Toro, por ‘Che’. È digno, mas poderia cvitar duas ou três interpretações melhores. Problema é que o j´puri quis recompensar o vasto afresco de Steven Soderbergh e dali, de bom, só sai mesmo a interpretação de Del Toro.