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Luiz Carlos Merten

07 Dezembro 2009 | 13h00

Digo que não leio nada, mas não é verdade. Leio casual/casuisticamente. Tinha este ‘Segundo Caderno’ do Globo, de sábado, atirado aqui sobre a mesa, folheei e descobri que o National Board Review escolheu na quinta-feira à noite a comédia ‘Amor sem Escalas’, de Jason Reitman, como melhor filme norte-americano do ano. George Clooney, que interpreta o filme de Jason, foi melhor ator, empatado com Morgan Freeman, o Mandela de Clint Eastwood em ‘Invictus’. A melhor atriz foi Carey Williams – Carey quem? – por ‘Educação’, que eu não faço a menor ideia do que se trate. Entre os dez melhores filmes, o Board colocou ‘Up’, ‘500 Dias com Ela’, ‘Bastardos Inglórios’ e ‘Star Trek’ – assino embaixo. Subindo um pouquinho o olhar, me chamou a atenção a foto de Danuza Leão na coluna ‘Gente Boa’. Adorei sua explicação para o fato de só usar bolsa falsa. ‘Acho ótimo falsificarem tudo e ninguém mais saber o que é verdadeiro e o que é falso, para acabar com esse absurdo de bolsas de dez mil dólares.’ Pegando carona, quero voltar a Almodóvar, ‘Abraços Partidos’, que revi na sexta. Um diz que é um filme de crise, outra que que é um erro de Pedrito. Bom, aleluia se é de crise – um dos maiores filmes do cinema é sobre uma crise, não? ‘Oito e Meio’ – ‘aquele’ Fellini. Mas o problema de Almodóvar é ser sofisticado demais. Quando a entrevistei, em maio, Penélope Cruz disse que Pedro é um cinéfilo que tem prazer em fazer citações, não importa se ninguém as identificar. Ele sabe. Alguém comentou que o empresário atirando Penpélope pela escada pode ser uma reminiscência de ‘Amar Foi Minha Ruína’, de John Stahl. Sem dúvida, mas a chave do filme, para desvendar seus mistérios, é quando Penélope se dubla, na cena em que o milionário está com a leitora de lábios, querendo descobrir o que ela disse a seu diretor, Matteo Blanco, no filme dentro do filme. Já que Almodóvar radicaliza no filme a questão do ‘faux raccord’ – Danuza está certa, ninguém mais sabe o que é falso ou verdadeiro, e não apenas em questão a bolsas de grife -, sinto vontade de radicalizar e dizer que esta cena, sozinha, vale o ano (mas vocês sabem que existem todos aqueles filmes que me encantaram). Qual é o tópico deste post? O ano está terminando, é tempo de pensar nos destaques. Vocês estão pensando? Já pensaram? Só para concluir. Alguém escreveu, a título de comentário, que Almodóvar é bom até quando ruim. É uma frase de efeito, sei, mas até Pedrito, quando é ruim, é ruim de verdade. Aquele ‘Má Educação’ não tem jeito de me descer…

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