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Luiz Carlos Merten

21 Dezembro 2009 | 09h54

Estranhei no fim de semana que não houvessem comentários para meus posts. Por mais que limpasse minha caixa postal, a mensagem era sempre que ela havia excedido os limites. Hoje, tentei validar um comentário do Marcos Sampaio e o sistema simplesmente não me reconheceu como titular do blog. Estou vivendo uma situação absurda e nem sei se vou conseguir acrescentar este post, que estou redigindo fora, para posterior acréscimo. Absurdo também me parece que o Felipe veja no acidente de Fábio Barreto uma manifestação do todo-poderoso, enojado com a maracutaia do filme ‘Lula, Filho do Brasil’ e André Santana faça sua conexão com JFK. Temo que não seja por aí, Felipe – para isso existe o livre arbítrio -, mas confesso que preferiria ver o Senhor mais aflito por causa do garotinho de 6 anos que morreu de leptospirose no bairro ainda alagado de São Paulo. Marcos Sampaio brada contra a vitimização de Fábio e seu filme. Nem me passa pela cabeça negar que o filme possa ser eleitoreiro, embora, como o próprio Fábio, eu ache que preocupação maior para os interessados deveria ser a estratosférica popularidade do presidente. Alô-ô – o filme quer pegar carona na popularidade de Lula, e não o inverso. Quanto a ser chapa branca… Não é. É até muito instrutivo o golpe branco que Lula dá para assumir o poder no sindicato. Seria até interessante se as pessoas criticassem ‘Lula’ a partir do que ele propõe. O cara é um herói brasileiro, mas não me parece que seja mitificado. E quanto a ser financiado por empresas que têm contatos ou ligações com o governo… Vamos ser objetivos. Duvido que a Camargo Correia não tenha negócios com governos tucanos ou quaisquer outros e tenha virado a gigante que é nos últimos sete anos, com o lulismo. A Camargo estaria colocando dinheiro num filme sobre Serra – vocês duvidam? –, mas gostaria de crer que foi a história, em si, desse brasileiro, que pode ter interessado à empresa. Vocês sabem que não é de hoje que acho que as leis de incentivo precisam ser repensadas. Essa história de deixar em mãos de diretorias de marketing o poder de decisão – sobre onde colocar o dinheiro – tem gerado situações, vou usar mais uma vez a palavra, absurdas. Alguns dos melhores filmes da Retomada foram os que mais tiveram problemas para levantar dinheiro, porque as empresas não queriam ligar suas marcas a determinados assuntos. Meu protesto é porque gostaria que ‘Lula’ fosse visto como um filme e não apenas como um ‘mega-empreendimento’. Como filme, acho que possui qualidades, me tocou, os atores que fazem Lula são todos maravilhosos, sem exceção (mas Rui Resende, o Lula adulto, leva a palma da interpretação, mais do que Glória Pires, no papel da mãe guerreira). E quando falo nos detratores, é só porque duvido – eu também conheço as pessoas – que o motivo seja outro que não o ódio visceral que muita gente tem em relação ao biografado. Não conseguem nem pensar para fazer as críticas pertinentes, mas de forma decente. Só achincalham. Não sou nenhum especialista em política, mas pensem. Existem críticas pesadas às alianças de Lula, mas e os tucanos com os ‘democratas’? Neste sentido, acho interessante a aliança que o Aécio conseguiu costurar em Minas. Mas, enfim, chega desse papo. Só acrescento que o ódio a Lula me chocou quando vim para São Paulo, no fim de 1988 (há 21 anos). Morava em Pinheiros e não me esqueço da garotada classe média, nos prédios mais elegantes do bairro, bebendo até cair e comemorando não a vitória do Collor, mas a derrota do Lula. Tive, nitidamente, ali, a sensação de que algo grave estava se passando. Mas, enfim, como muitos de vocês reconhecem, sou um ‘sonhador’.