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Luiz Carlos Merten

01 Julho 2007 | 16h36

No post, há pouco, sobre Sidney Lumet falei na beleza da fotografia em preto-e-branco de Doze Homens e Uma Sentença. Estava no jornal e comentei com Antônio Gonçalves Filho que havia recebido o DVD de Verão Violento, o meu Zurlini do coração. Comentei o quanto o PB daquele filme é lindo e fiz uma ponte como outro filme italiano da época, um pouco posterior, a que Toninho e eu assistimos recentemente, no DVD que Sérgio Leeman me enviou de Portugal – A Garota de Bube, de Luigi Comencini, com Claudia Cardinale e George Chakiris. Como eram deslumbrantes aqueles filmes em preto-e-branco. Os de Zurlini e Comencini e também Rocco e Seus Irmãos e Oito e Meio. Meu Deus! Toninho me fez uma observação sobre as cenas do trem em Verão Violento. Comentou uma coisa que eu não sabia. Ele disse que leu em algum lugar que Zurlini não quis dirigir a cena que envolve uma multidão. Zurlini só se interessava pelos planos fechados – dois, três personagens, no máximo. Florestano Vancini dirigiu a cena do ataque de avião ao trem. Florestano quem? Deve ser uma coisa geracional. Não existe muita gente sobre quem eu possa conversar sobre Vancini, um daqueles diretores do cinema italiano dos anos 60 que depois sumiram. Um de seus primeiros filmes, acho que o primeiro, La Lunga Notte del 43, A Noite do Massacre, evoca um episódio da resistência ao fascismo. Era, tomara que ainda seja, bárbaro. Vancini fez depois La Calda Vita, com Catherine Spaak, que era belga (senão me engano) mas encarnou o rosto da jovem italiana, por volta de 1960, em filmes de grandes diretores. Lembro-me dela em I Dolci Inganni, de Lattuada. Era linda, era sexy, era talentosa. Mas meu Vancini do coração é Enquanto Durou o Nosso Amor, com Gabriele Ferzetti, um retrato geracional, um filme de uma amargura imensa, sobre um quarentão que reflete sobre o amor perdido. Gabriele Ferzetti, ator de Antonioni (A Aventura e As Amigas), faz um Ulisses moderno, a quem mulher deixou de esperar. A cena mais linda do filme é a do encontro dele com a adolescente, na praia. Ulisses e Nausicaa, uma das mais belas cenas da Odisséia. Me caiu agora a ficha. Era Catherine Spaak. Era? Vou salvar, para não perder o post, e checar, mas tenho (quase) certeza que sim.