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Cultura » Vamos agarrar a ‘Vizinha’?

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Luiz Carlos Merten

27 Outubro 2010 | 16h04

Fiquei a manhã inteira redigindo textos para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’, inclusive a entrevista com Sergei Loznitsa, cujo filme ‘Minha Felicidade’ ouso apontar como o melhor da 34ª Mostra, mas é uma porrada, como você poderá confirmar quando ‘My Joy’ tiver (às 19h30, no Belas Artes) sua primeira apresentação no evento. Guardem dia e hora. Amanhã, quinta. Agora, estamos definindo a edição de sexta, com a estreia de ‘A Suprema Felicidade’ e grandes atrações na Mostra, entre elas M. Godard, com seu ‘Filme Socialisme’, e ‘Nostalgia da Luz’, o belo documentário de Patricio Guzman, sobre os chilenos que escavam o deserto do Atacama, um dos lugares mais secos do mundo, em busca das ossadas de seus queridos, que o regime militar, o famigerado Pinochet, desovava por ali.  Justamenmte no Atacama está o observatório masis potente do planeta, em que cientistas investigam a luz que estrelas muitas vezes extintas ainda emitem. Luiz Zanin Oricchio, me cointa nosso editor, Dib Carneiro Neto, ficou apaixonado por ‘Nostalgia da Luz’. Eu confesso que agora estou parando com tudo. Lá vou eu para a Sala Cinemateca, em busca da excitação da minha juventude. Como resistir à versão restaurada de ‘Ainda Agarro essa Vizinha’, às 5 em ponto da tarde? Podem me atirar quantas pedras quiserem, mas não tenho, nunca tive, a menor paciência com ‘Metrópolis’, cuja direção de arte pode ser genial, mas está longe de ser o melhor Fritz Lang (e é excessivamente valorizado). A ingenhuidade daquela união entre o capital e o trabalho pela via do afeto sempre me pareceu intolerável, mas sei que há um culto a ‘Metrópolis’. Até Giorgio Moroder fez aquela versão colorizada e musicada (por ele). Eu, em matéria de restauração, sou mais a ‘Vizinha’, um marco das pornochanchada. E lá me vou atrás da mítica Adriana Prieto, que morreu, num acidente, no mesmo ano em que o filme foi feito, 1974.