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Luiz Carlos Merten

14 Maio 2008 | 15h59

CANNES – Caraca, tentei acrescentar um post e, mais uma vez, na hora de salvar, ele se perdeu. Mas eu queria compartilhar imediatamente com vocês a forte emoção que acabo de ter assistido a ‘Waltz with Bashir’, animação de Israel que participa da corrida pela Palma ded Ouro. Adotando o formato de um documentário, o diretor, produtor e roteirista Ari Folman, associado aos animadores Yoni Goodman e David Polonsky, fez um filme terrível sobre a responsabilidade israelense nos crimes de falangistas que culminaram com os massacres de Sabra e Chatyla. A animação termina com imagens reais dos mortos de Sabra e Chatyla, uma coisa terrível de se olhar e que me lembrou o discurso sobre a ‘invisibilidade do olhar’, que Danny Glover tomou emprestado de José Saramago na coletiva de ‘Blindness’. Entrei no Cine-Teatro Debussy, a segunda sala em importância de Cannes, após o Grand Théâtre Lumière, pensando, um tanto cinicamente – Deus me livre! -, que até Cannes se rendeu às animações e agora todo ano tem de ter uma. No ano passado, teve ‘Persépolis’, de Marjani Satrapi (e ela está agora no júri presidido por Sean Penn). Não gosto de ‘Persépolis’ e vocês sabem disso, mas ‘Bashir’ me deixou chapado. Sei não, mas fiquei com aquela impressão de que acabo de assistir a um dos possíveis premiados do 61.o Festival de Cannes. E logo de cara!