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Luiz Carlos Merten

20 Janeiro 2007 | 13h40

SANTIAGO – Na quinta visitei a casa de Pablo Neruda em Santiago, La Chasqueña, que ele batizou com este nome em homenagem â mulher, Matilde Urrutía, que vivia deescabelada. Ontem, fui a Valparaíso e visitei outra das muitas casas de Neruda que foram transfrormadas em museu – La Sebastiana. As casas sao maravilhosas. Reúnem mais quinquilharia do que qualquer diretor de arte jamais sonhhou, mas Neruda nao colecionava por colecionar e sim, para criar ambientes, climas. Você entra nas casas deñle e nao quer mais sair. A de Valparaísdo ainda tem, em seu diferentes níveis, uma espetacular vista para o mar. Valparaíso é cidade gêmea de Viña del Mar, mas nao poderiam ser mais diferentes. Uma cidade portuária, onde está a sede do Parlamento chileno, e outra balneária. Valparaíso foi declarada pela Unesco patrimônio da humanidade há quatro ou cinco anos. A cidade desenvolve-se verticalmente, em casas que sobem os 40 morros que circundam a baía. É zona de terremotos (todo o Chile é; na quinta houve um de 3,5 na escala Richter, nem percebi) e foi reconstruída muitas vezes, mas ainda mantém o colorido típico de suas construcoes e reminiscências da história econômica e cultural do Chile e na América do Sul, que passam por esse porto. Antes que se criasse o Canal do Panamá, Valparaíso era o porto mais importante da América Latina, fazendo a ligacao com a Europa e o Oriente, mas esta é outra história. Por que estou falando de Valparaíso? Porque gosto muito desta cidade, que já visitei três vezes e na qual, curiosamente, me sinto em casa. Mas o que quero dizer aqui é que Valparaíso é a cidade de Aldo Francia, que fez, por volta de 1970, nos anos da Unidade Popuilar de Allende, dois filmes fundamentais do cinema latino-americano. Valparaíso, Valparaíso e Ya no Basta con Rezar. Depois do golpe, Raul Ruiz e Patricio Guzman, outros importantes diretores chilenos da época, foram para a Europa. Nada mais sei do Aldo Francia. Quando estou aqui sempre penso em pesquisar o que houve com ele, mas daí tem sempre tanta coisa para ver e fazer que me esqueco. Quem sabe nao volto um dia só para isso? Ou vocês que adoram me manter informado nao descobrem Aldo Francia e fazem a pesquisa por mim?