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Vai repuxar assim no inferno

Luiz Carlos Merten

21 Outubro 2008 | 19h38

LOS ANGELES – Cerol me esculhamba e diz que nao tem perdao escrever sem cedilha nem til nem qualquer outro acento da lingua portuguesa. Sorry, Cerol, mas o teclado nao funciona e eu nao consigo mudar do ingles, onde eles nao existem. Nao resisto a ficar todos estes dias sem postar nada. Mas fazemos assim – tu desapareces uns dias e espera eu voltar para ver se reaprendi a ser um profissional da escrita. Brincadeirinha, nao estou querendo polemizar. Entrevistei hah pouco Daniel Craig, o diretor Marc Foster, a bondgirl Olga Kurylenko e os produtores de `Quantum of Solace`, incluindo a Barbara Broccoli, que eh bonitona e poderia estar fazendo carreira frente as cameras como uma coroa sexy. (Soh como curiosidade, ela lembra muito a personagem mais velha de `Sex and the Single Girl`.) Daniel foi uma simpatia, Marc eh inteligente e fala com desenvoltura sobre o filme que fez, os produtores sao otimos e a Olga nao precisava nem abrir a boca. Bastava ficar olhando para ela. Que sexista! Terminei nao tendo tempo de falar sobre a Mostra e, embora sejam apenas 2 da tarde em L.A., jah eh praticamente noite no Brasil, embora ainda deva estar claro, porb conta do horario de verao. Fiquei contente com o recado que me deu a Marcia. `Appaloosa` integra a programacao da Mostra. Pedi que Eliana, pauteira do `Caderno 2`, pesquisasse por mim e ela disse que passa pela primeira vez no dia 28. Vou ter tempo de escrever. Eh western e o asssunto rende aqui no blog. Recomendo para amanhah o `24 Hour City`, do Jia Zgang-ke, que amei, e para quinta `Aquele Querido Mes de Agosto`, de Miguel Gomes. Acho que esses filmes tem a ver com o do Raymond Depardon, `Vida Moderna`, no sentido de que nao apenas os autores trabalham nas bordas do documentario e da ficcao como refletem sobre transformacoes que estao ocorrendo nas sociedades de seus respectivos paises (China, Portugal e Franca). Nem tive tempo de dizer que domingo, ao chegar aqui, me atirei um pouco na cama, no hotel, e vi TV. Passava o `ET`. Peguei o filme justamente na cena em que Elliott vai chorar a morte do alienigena sobre o container em que foi enterrado e descobre que ele estah vivo. Nao consegui desgrudar e vi o filme ateh o final. Posso ser o maior babaca do mundo, mas aquele filme eh magico. Vou ao Grove, um shopping a ceu aberto que tem aqui perto. Quero voltar a Barnes & Noble (ou serah o contrario?), livraria que tem mais livros de cinema do que poderia comprar e eh sempre um sofrimento escolher qual deles levar para o Brasil. Nao resisto a comentar a autobiografia de George Hamilton, um galah, por volta de 1960, cuja carreira nao foi adiante. George fez alguns filmes interessantes, incluindo um melodrama do Minnelli em que George Peppard e ele eram meio-irmaos, o Hamilton como filho legitimo e o Peppard como ilegitimo do Robert Mitchum. George Hamilton, ao contrario de George Peppard, nao tinha muito talento. Era bonitinho e meio ordinario. O livro de memorias dele se chama `Don`t Mind If I Do`, alguma coisa como `Nao se Preocupe com o Que Faco`. George Hamilton deve ter seus motivos para ter dado esse titulo. Fiquei assustado com a foto do cara na capa. George se repuxou tanto – plastica, botox ou os dois – que ficou parecendo o Liberace. Ave Maria!

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