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Luiz Carlos Merten

23 Outubro 2007 | 18h06

Na série ‘Confissões de Merten’, mais uma – fui parar hoje no hospital, cortesia de Ariane Mnouchkine e do Sesc Belezinho. Brinco, mas a aventura de assistir a ‘es Ephemères’deixou seqüelas. Oito horas e meia, incluindo intervalos, para falar do efêmero, me derrubaram, ainda mais sentado naquela arquibancada dura e esprimido feito sardinha. Sai todo ‘descadeirado’, como se diz, e ontem só fiz piorar. Hoje de manhã, fui à redação do Estado, fazer as matérias do dias, corri ao RoboCop, na Av. Nações Unidas, para assistir, na cabine da Sony, à animação ‘á Dando Onda'(bem bonitinha) e dali fui para a emergência do 9 de Julho, onde fiz tudo a que tinha deito (e que a doutora me receitou – soro, antiinflamatório, relaxante muscular etc). Dali viom para a Mostra, entrevistar Marco Ricca e Lina Chamie, de ‘ Via Láctea’, que tem sessão daqui a pouco (10 da noite, no Arteplex) e beth Formaggini, de ‘Memória para Uso Diário’ que ganhou o prêmio de melhor documentário do júri popular, no Festival do Rio. Só agora, com um pouco menos de dor, estou conseguindo postar alguma coisa sobre os destaques de hoje da Mostra. Antes, quero falar de ontem. Fui ver à noite ‘Sombras’, de Milcho Manchevski, no HSBC Belas Artes. Sala lotada, sentou na minha frente um sujeito que, além de alto, usava um topete que o deixava mais alto ainda. Foi um sufoco para conseguir ver a imagem e conseguir ler as legendas (afinal, o filme é falado em macedônio). Contra as opiniões dos outros, devo dizer que achei bem interessante. Essa coisa de falar sobre mortos (e a morte) é complicada, ainda mais daquele jeito – o começo lembra ‘Volver’, de Almodóvar,com a devoção das pessoas a seus mortos, no cemitério. Mas o que achei interessante foi o seguinte. Em ‘Antes da Chuva’, que ganhou o Leão de Ouro em Veneza, Manchevski usava uma estrutura narrativa circular, nisso se assemelhando ao Quentin Tarantino de ‘Pulp Fiction’ (Tempo de Violência), que é mais ou menos da mesma época. Aqui, o barato é que a narrativa aponta numa direção, como se estivesse ‘indo’, e no final a gente descobre que está ‘vindo’, o que é outra maneira de inventar a estrutura circular.