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Luiz Carlos Merten

03 Outubro 2006 | 15h03

Por falar em Visconti, assunto cativo neste blog, estou completamente dividido. Às 19 horas passa no Centro Cultural da Caixa Vagas Estrelas da Ursa, um marco do cinema do meu diretor preferido, que não tenho tido oportunidade de rever pelos simples fato de que o filme sumiu. André Stur, da Pandora, tentou adquirir os direitos, mas não conseguiu. A Versátil também não consegue comprá-lo para lançar em DVD. Pois daqui a algumas horas poderei rever a Electra de Visconti, Claudia Cardinale, obcecada para vingar a morte do pai, um cientista judeu que foi dado de mão beijada aos nazistas por sua mãe. Claudia, no filme, tem uma relação incestuosa com o irmão, interpretado pelo Jean Sorel. E tudo se passa em Volterra, cidade que sofre de erosão natural e está sendo destruída pelo tempo. Visconti fez um filme inteiro sobre a falta de perspectivas históricas dos descendentes daqueles jovens que pulavam nos sofás, no desfecho de O Leopardo, sem consciência de que o seu momento, a sua classe está acabando. Em nenhum momento, o grande diretor é nostálgico. Poderia ser, talvez, com o príncipe Salinas, interpretado por Burt Lancaster, que era um grande senhor, mas não com a Electra incestuosa, a personagem se chama Sandra, de Vagas Estrelas. Aqui, ele é duro e, não por acaso, sua mise-en-scène funda-se sobre a utilização da lente zoom, em inexoráveis (e rápidos) efeitos de aproximação e afastamento. Minha dor é que pouco antes do filme do Visconti haverá um debate sobre grandes filmes, os filmes de nossas vidas (com Daniel Filho e Cacá Diegues, entre outros) e eu adoraria ir. Até vou, mas vou poder ficar só uma meia-hora. Depois do Visconti, corro pro Odeon BR e, às 21 horas, assisto a outro filme que venho perseguindo há tempos e ainda não vi – Gabrielle, de Patrice Chéreau, com Isabelle Huppert. O dia vai ser longo, mas promete.