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Luiz Carlos Merten

26 Maio 2007 | 11h56

CANNES – Amigos me haviam vendido o filme argentino Una Novia Errante, de Ana Katz, em Un Certain Regard, como algo excepcional. Cavei um horário, deixando de assistir à coletiva de Naomi Kawase, que me interessava, e fui ver Una Novia Errante, que achei meia-boca. O cinema argentino é ótimo contando essas histórias de gente como a gente, de pequenas vidas. A noiva errante é esta mulher que, na cena inicial, está brigando com o noivo num ônibus. Eles estão chegando num balneário, mas é evidente que, do ponto de vista dele, a história já terminou. Ela desce antes e o cara aproveita para escapulir, seguindo no ônibus, que parte. Inés – é como se chama a personagem, interpretada pela própria diretora e co-roteirista Ana Katz – fica sozinha naquele fim de mundo. Vive uma crise. Ana fez um filme simpático, mas um tanto superficial. Não vai fundo no drama interior, fica nas bordas. Como Inés, lá pelas tantas, fica andando para cima e para baixo com sua mala, A Noiva me lembrou A Garota com a Valise, do Zurlini, com Claudia Cardinale, que foi lançado em DVD no Brasil. Zurlini é mais complexo, a comparação é só para dar uma idéia. Una Novia Errante concorreu no Cine em Construcción (em Donostia/San Sebastián, se não me egano) com A Casa de Alice, de Chico Teixeira. O filme brasileiro pode ter seus defeitos, mas é melhor, inclusive por transformar seu retrato de uma família disfuncional numa coisa mais ampla – um retrato da classe média do País, por exemplo. O problema de Ana Katz é que una Novia Errante parece contente de suas limitações. O filme passa a impressão de ser pouco ambicioso (demais) para estar num festival como Cannes.