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Cultura » Uma sugestão para os irmãos Farrelly

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Luiz Carlos Merten

09 Novembro 2007 | 09h42

Redigi agora os filmes na TV de amanhã e fiz um pequeno destaque sobre ‘Beija-Me Idiota’, que passa na TV paga (14h05 de sábado no Telecine Cult). Billy Wilder é o grande diretor que todo mundo reconhece, mas tem um certo número de filmes que ele fez e poucos se atrevem a elogiar. ‘One, Two, Three’ (Cupido não Tem Bandeira) e ‘Beija-Me Idiota’ são dois deles. O primeiro trata daquele empresário americano que vai instalar fábrica de Coca-Cola na Alemanha Oriental. O segundo mostra esse cantor mulherengo (Dean Martin) que dois compositores amadores tentam enganar, numa cidadedzinha de interior, aonde o cara veio parar. Ambos querem vender suas músicas e, para se aproximar do sujeito, sendo ele um rabo-de-saia, o que fazem? Substituem a mulher de um deles por uma garçonete super-hiper vulgar (Kim Novak, gloriosa), em cima da qual ‘Dino’ cai matando, claro. A falta de ética na busca do sucesso e do dinheiro dá o tom nos dois filmes e ‘Beija-Me Idiota’ ainda trata de adultério (dois casos) de forma ‘ultrajante’, como se diz. Faz muito tempo que não vejo ‘Kiss Me Stupid’, mas até onde me lembro o filme é de uma vulgaridade assombrosa (e até surpreendente num diretor como Wilder). Pode ser, não garanto, que Wilder estivesse adiante de sua época e o filme possa ser visto hoje de maneira diferente. Acho até que vou me arriscar a (re)ver ‘Beija-me Idiota’. Mas o objetivo final do post é outro. Me bateu que os irmãos Farrelly, depois de refilmar Elaine May (‘The Heartbreak Kid’/O Rapaz que Partia Corações), bem que poderiam ousar e cometer o sacrilégio de refilmar este Wilder considerado ‘menor’. A incorreção política de Bobby e Peter encontraria farto material na descrição da vida na cidadezinha e ainda tem aquela fixação (compreensível) da câmera de Wilder nos peitos e no bumbum da Kim. Eles iam deitar e rolar e agora, com mais abertura, acho que o público também ia curtir mais.

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