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Uma noite. Apenas?

Luiz Carlos Merten

16 Junho 2012 | 09h53

Fui ver ontem à noite ‘Apenas Uma Noite’, na suposição de que fosse mais uma comédia romântica, como as que havia visto antes durante a semana – ‘Amor Impossível’, de Lasse Hallstrom, e ‘Para Sempre’, de Michael Sacsy, ou Sucsy, com Channung Tatum e Rachel McAdams. O filme de Massy Tadjedin é outra coisa. Aliás, como não guardei o nome da diretorta- presumo que seja mulher – fui fazer um,a pesquisa e topei com um cabeçalho, ‘Desequilíbrio de atuações prejudica drama romântico’ ou coisa que o valha. Ah, os críticos… O ‘desequilíbrio’ de atuações é coisa que James Ivory também identifica em ‘Rocco e Seus Irmãos’ e que derruba, segundo ele, a obra-prima de Luchino Visconti. Coitado (do Ivory). Ele que fique com as interpretações equilibradas de ‘O Retorno a Howards End’ e ‘Os Bostonianos’ (que acaba de ser lançado em DVD). Na crítica publicada no ‘Caderno 2’, dei bom para o filme de Lasse Hallstrom, que me pareceu bem honesto e interessante – o diálogo sobre pescaria que vira conversa sobre a fé -, mas na verdade me pareceu melhor porque havia havia achado o Woody Allen um tanto decepcionante. Retrospectivamente, me pego pensando e descobrindo o encanto de ‘Para Roma, com Amor’, mesmo que não seja uma brastemp, como ‘Meia-Noite em Paris’. Não daria mais doque regular para o filme com Tatum e Rachel, e por eles, mas se dei bom para Lasse o que devo dar para Masdsy? Ótimo, o que me parece excessivo. Mas o filme é ótimo. Dois casais. O primeiro vai a uma festa, pinta um clima, Keira Kneightley acha que Sam Worthington – num raro papel de fgente como a gente – a está traindo com a colega Eva Mendes. No dia seguinte, eles, Worthington e Eva, partem numa viagem de trabalho, Keira encontra o ex-amante, Gui8llaume Canet – o senhor Marion Cotillard – e o clima está formado para um jogo de desejo, sedução e traição. Confesso que vi o filme mais tenso do que ficou em muito thriller recente. No final, meu amigo Dib Carneiro Neto deu sua visãso de dramaturgo – às vezes ele gostaria de escrever sobre certros assuntosd, mas se inibe por achar que tudo já foi dito sobre eles. E a´pi vem um filme como este, em que tudo parece déjá vu e a sensação é de que estamos descobrindo o novo. O final é maravilhoso. coisa de gênio, e mais simples, impossível. Tenho meu fraco por Keira Kneightley. Tirando o queixo, que não a favorece nas tomadas de perfil, é uma das mulheres mais belas do mundo. Tem algo de Audrey Hepburn. O rosto anguloso, a magreza, a pele – lembrei-0me da discussão de Michel Bouquet, como Renoir, no filme que encerrou a mostra Un Certain Regard, em Cannes. Eva Mendes é boa no jogo de sedução – Jotabê Medeiros, que a entrtevistou no Rio, quando não pude ir, observou que ela faz joguinhos com os próprios jornaslistas, na maneira de encarar, sorrir -, havia adorado o Guillaume Canet quando o entrevistei em Paris, num daqueles encontros da Unifrance, mas lá, confesso, o assunto foi mais a sensacional mulher dele. Tudo isso é verdade, mas o Sam e a Keira me deixaram louco. Enfim um filme sobre um casal hetero, sem o amigo gay nem a amiga fatal, e com os atores adequados. Sam Worthington, naquele cabeçalho de que falei, seria justamente o elo fraco de ‘Apenas Uma Noite’. Não creio. É um filme inconclusivo, mas elegante, super bem filmado. Vocês vão gostar? Antes de pensar nisso, vejam. Degustem, o que é mais importante.