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Um sábado que promete

Luiz Carlos Merten

03 Dezembro 2011 | 08h59

Cá estou iniciando um dia que promete ser corrido. Fui ver ontem à noite o Nelson Rodrigues do Teatro de Arena, ‘Beijo no Asfalto’, uma montagem um tanto histérica mas que dá conta da selvageria do texto. Fomos, Dib Carneiro e eu, um pouco porque um dos atores é o Fregnan, que tão bem esteve na peça dele, ‘Salmo 91’. Conversamos no final e ele contou que estava saindo do teatro, um carro da produção psassaria para apanhá-lo e o Fregnan ia entrar pela madrugada filmando, aqui em São Paulo, o novo José Eduardo Belmonte. São os últimos dias de rodagem e eu vou perder. Sorry, Belmonte, sorry, Fregnan. Disse que o dia hoje vai ser carregado e explico. Embarco, acho que de madrugada – preciso conferir, 2 da manhã, algo assim – para Dubai, onde ocorre um festival de cinema que será o cenário da junkett de ‘Missão Impossível 4’, já que o filme de Brad Bird é parcialmente feito no país. Adoro a série iniciada por Brian De Palma e acho que os demais diretores, John Woo e JJ Abrams, imprimiram sua marca aos filmes que realizaram. Espero que Bird tenha feito o mesmo, já que amei ‘Ratatouille’. Louco, não? O cara sai da animação para a live action com um filme de muita ação e logística complicada – ‘Ghost Protocol’, O Protocolo Fantasma. Em Dubai, poderei falar com Bird e seu elenco, exceto Tom Cruise, que só dá coletiva. Para falar com Tom, vou ter encarar o tapete vermelho do filme no Rio, dia 13 ou 14. Fico em Dubai até quinta e sigo para Londres, para ver, à noite, ‘Millenium’. Na sexta ou sábado, serão as entrevistas com – tã-tã-tã – David Fincher e Daniel Craig, o próprio homem que não amava as mulheres. Espero ter tempo de ver, em Londres, a exposição de Da Vinci e o ‘Hugo’, de Scorsese, que ganhou ontem o prêmio do National Board of Review, nos EUA. Da mesma forma, espero ter tempo de assistir a algum outro filme – alguns? – no Festival de Dubai. Hoje, tenho de correr para deixar um monte de matérias prontas. Eduardo Coutinho, ‘As Canções’, que estreia sexta, dia 9, o ciclo de Clint Eastwoiod, que começa terça no CCBB. Tudo isso e ainda providenciar um terno, ou um black-tie, porque o protocolo, não o fantasma, prevê que a gente (eu?) me vista de pinguim. Ainda não dei contas do novo pacote de lançamentos da Cult, que traz a ‘Electra’ de Michael Cacoyannis – Gabriel Villela vai amar – e um clássico fantástico dos anos 1950, ‘O Incrível Homem Que Encolheu’, de Jack Arnold. The incredible shrinking man! Grant Williams começa a encolher de forma vertiginosa, de repente, reduzido a proporções liliputianas, vira joguete do gato e tem de lutar pela vida com a aranha. Ele encolhe ainda mais e se perde no mundo dos infinitamente pequenos, berrando ‘Eu existo!’, ou coisa que o valha. Sempre houve um culto a Arnold e a suas fantasias científicas, que não apenas expressam seu tema do temor humano face aos riscos trazidos pelo desenvolvimento da técnica e da ciência. ‘A Pele Que Habito’, por mais almodovariano que seja, poderia ser um filme de Arnold, com seu cientista que enlouquece e impõe aquele castigo ao jovem. ‘A Pele Que Habito’ trata de um tema que é central em ‘O Homem Que Encolheu’, a questão da identidade, e o aviltamento do personagem de Grant Williams perante a mulher, o mundo, realçando o sentimento de inferioridade contra o qual ele luta, possui múltiplos significados existenciais e até políticos. Tanta coisa para ver e falar. Estou saindo para resolver problemas. Espero ainda ter tempo de postar antes da viagem.