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Luiz Carlos Merten

04 Abril 2009 | 13h08

É uma coisa que me impressiona. O blog tem uma história, com certeza. Nem me lembro quando começou e não sou muito de voltar atrás para pesquisar. Há quanto tempo trocamos idéias aqui? Um, dois, três anos? Mas, quando digo que tem uma história, ou um ‘histórico’, é porque o blog possui um índice remissivo, que as pessoas, que ‘você’, podem (pode) pesquisar. Imagino que muitas gente faça isso, porque a toda hora estou validando comentários de posts antigos. Alguns são sucessos permanentes. Os que tratam de westerns, os de Os Filhos do Trovão’, o filme mítico (e mitológico) de Duccio Tessari, o (ou os) de ‘Os Aventureiros’, de Robert Enrico. Hamilton Fernandes pegou agora carona no post ‘Um Sonho de Cinéfilo’ para indagar sobre ‘Um Raio em Céu Sereno’, um filme que o perseguia, mas ele não sabia o nome. ‘Um Raio em Céu Sereno’ chama-se, no original, ‘The Sins of Rachel Cade’, com Angie Dickinson no papel de uma missionária na África. Num certo sentido, é a versão ‘protestante’ do muito mais prestigiado ‘Uma Cruz à Beira do Abismo’, que Fred Zinnemann realizou no mesmo ano, 195, com Audrey Hepburn no papel de uma freira ue vai como missionária para a África, atravessa uma crise de vocação e, no desfecho, abandona o hábito. O título original de Gordon Douglas – é dele, o grande diretor de ‘Rio Conchos’ -, ‘Os Pecados de Rachel Cade’, não deixa margem a dúvida de que a missionária Angie não será tão angelical assim, inclusive nas questões da carne, ao lidar com o desejo. Hamilton pergunta se ‘Um Raio em Céu Sereno’ é disponível em DVD. Não que eu saiba, mas tambem fiquei com vontade de (re)ver o filme. Não tenho uma lembrança muito nítida dele, mas me parece curioso que Douglas, como contratado dos estúdios, fosse suficientemente louco – ou só profissional? – para aceitar esses desafios. Tratar de um assunto próximo ao de um autor tão prestigiado (até demais…) como Zinnemann poderia revelar uma vocação suicida. O caso de ‘A Última Diligência’, seu remake de ‘No Tempo das Diligências’, de John Ford, é ainda mais radical, mas eu posso ser único no mundo – não apenas gosto do filme como acho, pronto a receber pedradas, que a Dallas de Ann-Margret é melhor do que a de Claire Trevor. Vou procurar por ‘Um Raio em Céu Sereno’. Quem tiver notícias, que nos dê, ao Hamilton e a mim.