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Cultura » Um profeta na minha vida

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Luiz Carlos Merten

23 Maio 2009 | 07h36

CANNES – Meu amigo Jose Onofre morreu em Porto Alegre. Luiz Zanin Oricchio fez o texto para o `Caderno 2`. Jose Onofre foi um de meus mentores, mas, ao contrario de Jefferson Barros – o outro, que tambem jah morreu -, minha vida profissional foi sempre muito mais proxima do Zeh e se desenvolveu ah sombra dele, no Colegio Israelita e na `Folha da Manhah`, em Porto, e no `Estado`, onde ele foi meu primeiro editor no `Caderno 2`, quando me transferi para Sao Paulo. Havia visitado o Zeh, em coma, no hospital, lah em Porto, durante o feriadao de Pascoa. Lembrei-me dele ao assistir ao filme de Eduardo Valente. Ao chorar a Sandra, minha sobrinha, chorei outros de meus mortos. Tantos amigos que jah se foram lah no Rio Grande do Sul… Nao pude deixar de pensar uma coisa. Escrevi aqui no blog, quando o Zeh ainda estava vivo, um texto que era sobre ele, mas ao rele-lo, hah pouco, me pareceu mais sobre mim. Tenho pensado em Zeh Onofre, em Jefferson Barros, em Tuio Beckler, em Luiz Cesar Cozzatti, em Romeu Grimaldi. Zeh Onofre amava John Ford, `Rastros de Odio`, e escreveu alguns dos textos mais belos que jah li sobre Jack London, Ernest Hemingway, Scott Fitzgerald, Dashiell Hammett e Raymond Chandler. (Jefferson, eh curiooso, amava, acima de todos os escritores, Stendhal, `O Vermelho e o Negro`). Nao pude deixar de pensar que, nesse festival, Zeh Onofre talvez tivesse gostado de `Un Prophete`. O cinema de Jacques Audiard eh de tempos fortes e reflexivo como ele gostava. Zeh tambem foi um apaixonado defensor de Quentin Tarantino, na fase de `Reservoir Dogs` e `Pulp Fiction`, mas nao estou muito seguro de que ele fosse apoiar irrestritamente `Inglorious Basterds`.